29 de agosto de 2016

Resenha | A Torre Acima do Véu

Título: A Torre Acima do Véu
Autor: Roberta Spindler
Ano de publicação: 2015
Editora: Giz Editorial
Número de páginas: 272
Sinopse: Quando uma densa e venenosa névoa surge misteriosamente, pânico e morte tomam conta do planeta. Os poucos sobreviventes se refugiam no topo dos megaedifícios e arranha-céus das megalópoles.
Acuados, vivem uma nova era de privações e sob o ataque constante de seres assustadores, chamados apenas de sombras.
Suas vidas logo passaram a depender da proteção da Torre, aquela que controla os armamentos e a tecnologia que restaram.
Cinquenta anos se passam, na megacidade Rio-Aires, Beca vive do resgate de recursos há muito abandonados nos andares inferiores, junto com seu pai e seu irmão. A profissão, perigosa por natureza, torna-se ainda mais letal quando ela participa de uma negociação traiçoeira e se vê cada vez mais envolvida em perigos e segredos que ameaçam muito mais do que sua vida ou a de sua família.

Em um futuro distante, a América Latina foi tomada por uma névoa venenosa, que torna a vida inviável na superfície. Desse modo, todos têm de viver no alto dos megaedifícios — antigamente, partes de uma enorme cidade denominada Rio-Aires, agora, apartamentos abandonados que foram tomados pelo que restou da humanidade. Esse novo universo é controlado pela Torre, que detém boa parte dos recursos e é responsável por garantir a sobrevivência dessas pessoas, apesar da liderança inflexível.

Beca é uma dessas pessoas, e é uma saltadora — o resultado de uma mutação genética que a faz mais ágil e a torna capaz de pular muito mais alto do que um humano comum. Por esse motivo, trabalha resgatando recursos nos andares inferiores dos megaedifícios com a ajuda do pai e do irmão a serviço da Torre. É um trabalho perigoso, pois além de se pendurar pelos prédios e chegar perigosamente perto da névoa tóxica, ainda tem de lidar com a ameaça dos Sombras — pessoas que não morreram em contato com a névoa, mas se transformaram em monstros fortes e aparentemente irracionais. Um desses trabalhos, porém, envolve muito mais do que os riscos habituais (como se já não fossem o bastante), e é aí que a história começa.

Eu estava com um pé atrás com esse livro (li um conto da mesma autora em Um Dia das Bruxas Nem um Pouco Épico e não gostei), entretanto, a capa, o título e a premissa me saltaram aos olhos, e no fim decidi dar uma chance. E me diverti muito durante a leitura, embora o livro tenha alguns aspectos que poderiam ter sido melhor trabalhados.

Um deles é a narrativa. Ela me agradou durante a maior parte do tempo, mas em alguns trechos, faltou mostrar mais. Algumas cenas não alcançaram todo o potencial que poderiam ter. Outra coisa que em incomodou em relação à escrita foi que os sentimentos dos personagens são nomeados, em vez de deixar que o leitor os deduza a partir de pistas nos diálogos ou na linguagem corporal. Pode parecer um detalhe, mas é algo que quebra um pouco a imersão e também não deixa que a cena alcance todo o seu potencial. Mas, afora isso, a escrita me prendeu bastante à trama.

Trama que, aliás, é bastante interessante. Gostei do enfoque em coisas mais mundanas, com objetivos menos voltados a derrubar o governo e mais a sobreviver. E, claro, temos mistérios, reviravoltas, segredos e tudo o mais que tornam uma história ainda mais interessante e envolvente.

Outra coisa de que gostei foram os personagens. Talvez não tenham sido tão bem caracterizados ou explorados quanto podiam, mas a autora fugiu um pouco do óbvio, dando-nos personagens não tão maniqueístas — personagens que, com suas atitudes nem sempre tão nobres, são críveis dentro desse universo cheio de devastação e desesperança. As relações entre Beca e sua família (ela e o irmão são adotivos) é bem interessante, e, embora em certos momentos surja o romance, não foi algo que tomou mais espaço do que devia ou foi abordado de uma forma que me incomodou.

A forma como o mundo foi apresentado é interessante: a autora se utiliza de gravações que a Torre transmite para todos os cidadãos, e por meio dela conhecemos os fatos que levaram o mundo ao ponto em que está. Além disso, mais informações sobre a névoa e os Sombras são adicionadas aos poucos ao longo da trama, complementando a caracterização. Porém, creio que os poderes que algumas das pessoas têm (além dos saltadores, há os teleportadores e vários outros tipos de habilidades) poderiam ter sido melhor explicados e melhor explorados.

O final fecha a trama do livro, mas deixa algumas coisas em aberto — como se a autora tivesse a intenção de escrever uma continuação, ou outras histórias no mesmo universo, mas, que eu saiba, é volume único. A edição é muito bonita: além da ilustração da capa, há ilustrações internas e um mapa. Não lembro de ter visto problemas na revisão — se houve, foram erros de digitação que pouco influíram na leitura.

Avaliação:

Trama: 5
Narrativa: 3
Personagens: 3
Caracterização: 3
Coerência: 5
Criatividade: 4
Revisão: 5


2 comentários :

  1. Olá Laís, adoro a capa desse livro. Em todas as resenhas que li e assisti, a maioria citava as mesmas coisas que te incomodaram durante a leitura, a falta de aprofundamento em alguns momentos foi bem citado também. Não sei quando lerei o livro, mas tenho muita vontade e conhecer a história mais a fundo.

    bjs

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    Respostas
    1. A capa é bem bonita mesmo. Quanto aos problemas que apontei, eles me incomodaram um pouco, mas me diverti com a leitura mesmo assim, então recomendo.

      Obrigada pela visita!

      Excluir

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