14 de junho de 2017

O que eu aprendi com o Camp NaNoWriMo em abril de 2017 - Parte 2

Continuando a lista da semana passada, aqui vão mais algumas coisinhas que aprendi sobre o meu processo de escrita durante o mês de abril.


Leia também:

1. Finalmente entendi porque o NaNoWriMo funciona tão bem para o meu processo de escrita

Apesar de ter vencido o NaNo apenas uma vez, sempre achei que o mês de escrita insana funciona muito bem para mim. Eu achava que era porque eu tenho uma produtividade diária mais ou menos semelhante à meta de 1667 palavras por dia, e gostava do exercício de criar o hábito da escrita e vencer a procrastinação que é parte da proposta do NaNo.

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Isso tudo é verdadeiro para mim. Mas o NaNoWriMo também propõe escrever primeiro e editar depois, e eu percebi que é justamente por causa dessa parte (mais que por causa das demais) que o NaNo se encaixa tão bem no meu processo de escrita.

E isso é porque eu não consigo escrever frases boas de primeira. Claro que há exceções, mas muitas vezes me pego escrevendo uma frase de qualquer jeito, só para colocar a ideia no papel e poder seguir com a história, e depois, no dia seguinte (às vezes sem que eu esteja de fato escrevendo) me vem a versão melhorada dessa frase. Às vezes, ela surge na revisão, ou em qualquer outro momento aleatório.


Esse é outro motivo porque eu preciso parar de deixar para escrever as coisas de última hora. Quando eu tempo pouco tempo para escrever um conto (e, consequentemente, pouco tempo para revisar), me sinto pressionada a escrever frases boas de primeira, o que acaba me deixando com bloqueio, mais do que a pressão de um prazo apertado.

Por outro lado, percebi que é benéfico parar para revisar ou mesmo reescrever quando o que me incomoda é a estrutura da cena. Eu preciso consertar o que há de errado com ela antes de poder dar continuidade à história.

2. Aprendi uma coisa sobre caracterização de personagens

Ao longo de 10 anos de escrita, passei muito tempo com os mesmos personagens, como foi o caso de Ramaddeshia (de Divindade Artificial) e de Aurus (de Momento angular), ambos personagens de A Deusa de Cristal (a série que reescrevi várias vezes ao longo desses anos todos e nunca foi publicada). Esse processo de tentativa e erro me ajudou a consolidar as personalidades deles, mas, por outro lado, me acostumei a começar uma história conhecendo bem os personagens — o que obviamente não se aplica aos novos personagens.

Momento angular tem diversos personagens novos, e logo ficou claro que não é possível (pelo menos, não no modo como funciona meu processo de escrita) conhecê-los bem logo de cara. Eu não conseguiria preencher completamente uma ficha sobre esses personagens. Assim, a melhor maneira de lidar com isso seria fazer uma caracterização bem leve antes de iniciar a escrita e, só depois de escrever alguns capítulos e sentir a história, partir para uma caracterização mais profunda. Em resumo: fichas ou entrevistas detalhadas só são interessantes depois da escrita do primeiro rascunho.

3. Aprendi duas coisas sobre estruturação de cenas

Enquanto escrevia Divindade Artificial, eu me preocupei excessivamente com a extensão do livro. Ele estava ficando maior do que devia por vários problemas, mas um deles era a forma como estava estruturando as cenas. Eu tenho mania de começar a cena cedo demais e estendê-la além do que deveria.

Em Divindade Artificial, por exemplo, havia uma cena em que Ramaddeshia ia a uma reunião formal, e, em vez de iniciar a cena no ponto em que começava a reunião, comecei com ela ainda dentro do carro, a caminho do lugar. Não contei quantas palavras eu poderia remover, mas, só observando este caso, já é bastante perceptível o quanto é possível enxugar a história.

Outra coisa que aprendi nesses últimos tempos é que uma cena pode fazer mais de uma coisa. Ela pode, ao mesmo tempo em que faz a história avançar, mostrar o relacionamento entre dois personagens, dar pistas sobre o worldbuilding ou o sistema de magia, revelar mais uma faceta de um determinado personagem, dentre outras coisas. Muito melhor ter uma cena para fazer três dessas coisas do que escrever três cenas diferentes.

Era o que estava fazendo com que Divindade Artificial fosse um livro tão desnecessariamente longo. Mas vou confessar que é um hábito difícil de largar, porque me peguei fazendo a mesma coisa em Momento angular.

4. Hábito de escrita = organização + força de vontade + momentos para descanso

Manter um hábito é uma habilidade que precisa ser praticada constantemente. Pelo menos no meu caso. Na época do NaNoWriMo, eu consigo manter uma rotina quase infalível de escrita. mas é só eu ficar mais do que alguns dias sem escrever que vai tudo por água abaixo. Por outro lado, essas férias não planejadas muitas vezes surgem por conta do desgaste. Assim, é importante tirar um ou dois dias de descanso de vez em quando. É importante encontrar um equilíbrio.

E aí entra a organização, para que eu possa planejar quais os melhores dias para tirar um descanso, e com que antecedência eu tenho de dar início a um projeto para entregá-lo no prazo. A força de vontade serve para aqueles momentos em que você considera deixar de escrever naquele dia só porque sim.



No final, abril se mostrou um mês bastante produtivo, tanto em termos de escrita quanto em termos de aprendizado — embora eu agora tenha mais uma história começada e não terminada. Mas pretendo trabalhar no planejamento de Momento angular nesse mês e retomar a história, dessa vez para escrevê-la até alcançar o final do primeiro rascunho. Também porei em prática esses e outros macetes, então é provável que em breve eu volte com um post semelhante.

Sei que o processo de escrita é algo bastante particular, mas, mesmo assim, espero que a leitura tenha sido bastante proveitosa.



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O que eu faria se tivesse uma máquina do tempo?


Uma vigarista imortal que tem que lidar com a irmã e com a falta de pizza em uma São Paulo pós apocalíptica.




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