7 de junho de 2017

O que eu aprendi com o Camp NaNoWriMo em abril de 2017 - Parte 1

Em abril eu participei do Camp NaNoWriMo, além de ter escrito quatro contos — um deles tão longo que eu poderia considerá-lo uma noveleta. E, embora não tenha sido bem sucecida nesta edição do NaNo, aprendi mais algumas coisas sobre o meu processo de escrita enquanto tentava entregar os contos no prazo e atingir minhas metas diárias com Momento angular.


Momento angular está parado no momento. Como comentei na minha série sobre o NaNoWriMo de 2016, eu tenho que escrever alguns capítulos para sentir a história. Chega uma hora em que, invariavelmente, eu começo a ter ideias melhores para o enredo e, no caso de alguns dos personagens, consigo enxergar melhor quem são. Aí tenho que parar um pouco e repensar todo o outline. É o que estou fazendo com Momento angular, mas ele está em um hiato mais longo do que eu havia planejado.

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Afinal, não me organizei tão bem quanto queria em abril, e, embora eu estivesse com quase tudo pronto para começar a escrita de Momento angular, acabei atrasando meu cronograma e algumas coisas ficaram para depois. Além disso, os quatro contos que mencionei eram para concursos literários — e acabei enrolando demais para começar um deles. Dessa forma, tive que parar completamente a escrita de Momento angular para me dedicar a ele.


Quanto aos contos, todos eles foram finalizados. Um deles foi Fast Horror, que está disponível no quarto volume da coletânea A Arte do Terror. Você pode fazer o download gratuito da versão digital ou comprar o volume físico, que está disponível no Clube de Autores e no Livrorama.


A noveleta eu enviei para a coletânea Cyberpunk, da editora Draco, e agora estou aguardando resposta. E os outros dois eram, na verdade, mini-contos, com 500 palavras cada, que enviei para o 1º concurso de ficção relâmpago do podcast do Curta Ficção (leia aqui os contos ganhadores). Ainda estou pensando em como vou publicá-los.

Agora, finalmente, aos aprendizados de abril:

1. Eu estava subestimando o tempo que eu levo para escrever

Eu sou uma escritora relativamente produtiva. Faço uma média de 1500 a 2000 palavras por dia, e, em dias inspirados, quando a escrita flui, acabo produzindo mais do que isso. Mas escrever um conto inteiro vai além de sentar na cadeira e bater a meta de palavras. Escrever um conto envolve o outline do enredo, o worldbuilding e, em muitos casos, trabalhar um pouco nos personagens. Sem contar a escrita propriamente dita e, depois, revisão, reescrita e mais revisão.

E, ultimamente, eu venho adotando um novo processo de organização: eu desmembro uma tarefa grande — planejar um conto — em várias menores. Dessa forma, fica mais fácil visualizar o que eu preciso fazer e me ajuda a encaixá-las no dia-a-dia sem que eu tenha que interromper um mesmo processo várias vezes. E foi fazendo isso que eu percebi que estava subestimando o tempo que eu levo para escrever um conto. O que significa que deveria ter começado bem antes, se a ideia fosse escrever sem afobação e não abandonar Momento angular.

Para quem ficou curioso, essas são todas as etapas que compõem o meu processo de planejamento de contos atualmente: Primeiro, junto todas as ideias que vou anotando por aí ou que por acaso estejam em minha cabeça. Desse exercício acabam surgindo mais ideias — tanto para o enredo quanto para personagens e worldbuilding. Feito isso, faço um esboço geral do enredo. Assim, tenho uma lista de personagens e um protótipo de universo — se o conto não se passar em um universo já trabalhado em outras histórias. No dia seguinte, começo a trabalhar nos personagens. No caso de contos, uso a ficha simples mesmo, ou escrevo alguns parágrafos sobre a vida desse personagem. No outro dia, penso um pouco melhor no worldbuilding, e assim acabo com uma lista de coisas a serem pesquisadas. Depois de fazer essas pesquisas, quando tenho as ideias bem mais sólidas, reviso tanto o worldbuilding quanto o outline do enredo, e aí começo a escrever.

Eu ainda pretendo testar esse método mais algumas vezes para ver se funciona mesmo no meu processo de escrita, mas a minha ideia com ele é não ter que escrever várias e várias versões por inconsistência no universo da história ou no enredo. Com isso, também espero já me envolver com a história e os personagens antes mesmo de começar a escrevê-la. O que me leva ao segundo ponto…

2. Eu preciso me envolver na história

Em novembro, Divindade Artificial fluiu tão bem em parte por eu estar muito envolvida na história. Mesmo quando não estava na frente do computador eu estava pensando nos personagens e imaginando situações aleatórias com eles (é algo que eu tenho o costume de fazer quando realizo uma tarefa no piloto automático e minha mente fica livre para divagar). Estava tão envolvida que dificilmente eu tinha vontade de fazer outra coisa que não fosse escrever Divindade Artificial.

Eu já sabia disso antes, ainda que inconscientemente. Mas ficou bem claro enquanto eu escrevia Momento angular e também enquanto eu escrevia o conto que mandei para a Draco. Eu não me envolvi o suficiente antes de começar a escrever (embora, no caso de Momento angular, o protagonista seja um personagem que aparece em várias outras histórias que eu escrevi), e só depois que o mês passou foi que eu percebi que era por isso que eu estava bloqueada.

3. Demoro mais para escrever o clímax do que qualquer outra parte da história

Esta é outra coisa que eu não estava levando em conta ao estimar o tempo que levo para escrever um conto. Não importa que tanto o clímax quanto o início do conto tenham cada um 2 mil palavras. Vou demorar mais para escrever as 2 mil palavras do clímax que as 2 mil palavras de qualquer outra parte.

Isso porque, se eu quiser um bom clímax, eu preciso parar por alguns momentos para fazer uma lista de tudo o que pode dar errado para o personagem e das ferramentas que ele tem para sair dessas situações. E os meus clímax costumam ter pelo menos um pouco de ação, que exigem (pelo menos no meu processo de escrita) um pouco mais de revisão.

4. Eu preciso gostar do que estou escrevendo

Às vezes, eu simplesmente acabo travando porque demoro um tempo para descobrir que história eu quero escrever. É comum que eu acabe me apaixonando por uma premissa, por um personagem ou até memso por uma cena, mas acabe não gostando dos rumos que decidi dar à história ao fazer o outline, ou fique com a sensação de que algo está faltando para que aquela seja uma boa história.

Mas também percebi que tenho o costume de me apegar às ideias iniciais, e muitas vezes arranjo justificativas precárias para que elas se sustentem na história, quando seria muito mais fácil alterá-las ou simplesmente cortá-las. Fiz muito isso ao longo de todos esses anos em que me dediquei à escrita, mas só recentemente que tomei ciência desse hábito.

No caso de Momento angular, foi deixando ideias e premissas a princípio interessantes de lado que eu finalmente me abri para novas ideias, e o novo enredo (ainda a ser planejado) certamente é bem mais interessante que o original.



Em resumo, a lição mais importante do mês foi que eu preciso aprender a pensar no prazo de maneira mais realista. Percebi que uma quantidade de tempo que acredito ser suficiente para escrever um conto muitas vezes não é. Mas, claro, deixar as coisas para a última hora é um hábito difícil de largar.

A parte dois desse artigo sai já na semana que vem!


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