17 de março de 2017

5 coisas que eu aprendi com o NaNoWriMo em 2016 - Parte 3

Finalmente chegou a última parte da minha série sobre o que eu aprendi com o NaNoWriMo em 2016! Abaixo, você pode conferir mais algumas dicas de escrita e organização. Coisas que eu coloquei em prática em novembro e que descobri que funcionam para mim — quem sabe não funciona para você também?


Leia:

1. Ter um diário de escrita

Aqui falo de um diário no sentido de registrar o que aconteceu enquanto você escrevia. Que horas começou, que horas parou, quantas palavras escreveu, se a escrita fluiu ou não, se você gostou do que escreveu ou não, etc. Para quem está construindo o hábito, pode ser uma ajuda para descobrir quantas palavras em média você consegue escrever, em que momentos do dia você escreve mais e/ou melhor, quais os melhores dias da semana para escrever, entre outras coisas.

Para quem já construiu o hábito, é um registro interessante de manter (eu gosto de rever o que eu escrevi em outra época, por exemplo, e me ajuda a organizar as coisas quando vou publicar o diário no SI&F), e pode até mesmo servir de inspiração. Nada como ver todos os dias preenchidos, não é?

Para a escrita do próximo livro eu pretendo até expandir o diário, anotando coisas (filmes, posts em blogs, outros livros) que me deixam mais inspirada para escrever, mesmo naqueles dias em que lidar com o cursor piscando é difícil. Eu costumo registrar o meu diário no Evernote (criei um caderno só para os diários de escrita), e sugiro que quem quiser começar o faça em algum aplicativo que possa ser acessado de vários dispositivos.

2. Ter um diário de desenvolvimento

Esse é diferente de um diário de escrita. É um documento em que, ao finalizar cada capítulo, eu faço um resumo de todos os acontecimentos, listo os personagens que apareceram, os lugares onde são ambientadas as cenas e possíveis mudanças que eu queira ou precise fazer durante a reescrita.

Meu objetivo é facilitar o processo de reescrita e também criar um guia de consulta rápida, para eu não passar horas navegando pelo arquivo do livro enquanto me pergunto em qual capítulo Ramaddeshia tinha dado um chute em Jainne, só porque eu precisava saber qual era a cor da calcinha desta para dar continuidade ao capítulo atual.

Veja abaixo meu modelo de diário de desenvolvimento:
  • Número de páginas
  • Número de palavras
  • Data (dos acontecimentos do capítulo, e não a data em que o escrevi)
  • Acontecimentos gerais
  • Questões levantadas
  • Questões respondidas
  • Questões não respondidas
  • Mudanças para fazer/cenas para reescrever
  • Coisas a acrescentar
  • Personagens que aparecem
  • Personagens citados
  • Personagens históricos
  • Locais
  • Termos para o glossário
  • Nomes para o guia de pronúncia

Claro que esse é só um modelo e, se você quiser começar um diário de desenvolvimento também, pode tirar e acrescentar categorias. Como você viu, o meu é bem detalhado e tem até itens dos quais só vou precisar quando for montar a versão final (isso se eu decidir que os apêndices serão necessários). Mas a parte sobre personagens históricos e termos vai me servir também para detectar possíveis furos no worldbuilding ou no magicbuilding. A parte das questões respondidas e levantadas pode me ajudar a avaliar o ritmo, por exemplo, e também se eu não estou colocando mistérios demais. E a parte sobre o número de palavras e de páginas é porque eu gosto de ver a média de palavras por capítulo ao terminar o livro e também porque eu tenho uma preocupação excessiva com o tamanho final do livro — ou pelo menos tive quando estava escrevendo Divindade Artificial, mas isso é assunto para outro post.

3. Desenvolvimento de personagens

Alguns personagens de Divindade Artificial eu criei anos antes de começar o livro e por isso os conheço bem, como é o caso de Ramaddeshia. Mas outros eu criei especificamente para o livro, e não sabia quase nada sobre eles. Além disso, só recentemente é que passei a estudar o desenvolvimento de personagens, então eu ainda estou descobrindo meu processo (antes fazia as coisas meio no instinto e acabava acertando, mas errando bastante também).


De qualquer forma, em novembro aprendi várias lições sobre desenvolvimento de personagens.

A primeira delas é que eu deveria ter me organizado para começar a fichá-los bem antes. Como fiz tudo em cima da hora, mal comecei as fichas e então já era 1º de novembro.

A segunda é que é meio difícil descobrir as necessidades e motivações dos personagens. Em Divindade Artificial, tive dificuldades até mesmo em definir as motivações de Ramaddeshia — pelo menos, as motivações que ela teria especificamente nesse livro, na fase da vida em que ela está. Quando cheguei às 50 mil palavras no dia 30 e parei para analisar, percebi que tinha definido os objetivos dela, e não as motivações.

E aí concluí que as motivações estavam ligadas à trama e também com o tema de Divindade Artificial — que, lá nas entrelinhas, fala sobre tecnologia e nossa relação com ela —, que achei que era outro quando a ideia surgiu e eu comecei a planejar.

Na próxima história (ou quando eu for retomar Divindade Artificial), já sei o que fazer: definir as motivações dos personagens depois de fazer um rascunho do planejamento (mais sobre isso em um post futuro) e decidir que tema quero discutir nas entrelinhas. E, claro, não deixar tudo para o último dia.

4. Planejar as cenas logo antes de escrevê-las

Eu tenho uma relação meio dúbia com o planejamento de uma história. Se eu não planejo, eu fico totalmente bloqueada. Mas tenho sérios problemas para me manter focada no processo de planejamento. Escrevo uma ou duas linhas e logo paro. Tem vezes em que acabo nas redes sociais, tem vezes em que até mesmo levanto da cadeira e fico passeando pela casa a esmo (meus gatos odeiam esses momentos, porque sempre acabo abraçando eles).

No caso de Divindade Artificial, fiz o planejamento de forma “mais ou menos”, sem chegar a desenvolver cena por cena. Em parte porque comecei em cima da hora, em parte porque me distraio muito e não tive nenhuma sessão de planejamento realmente produtiva. Por isso, tive que planejar as cenas logo antes de escrevê-las, o que (por acidente mesmo) me fez descobrir que isso me empolga, me deixa mais ansiosa para escrever os acontecimentos que acabei de plotar.

Só depois de pausar a escrita e me manter afastada por um tempo do rascunho é que eu percebi que eu não estava estruturando as cenas direito (li algumas matérias sobre isso, mas na hora da escrita elas sumiram da minha mente, pelo visto), e que isso era uma das coisas que estava me deixando muito incomodada com a história toda em geral e me fez largá-la por tanto tempo.

5. Participar de grupos de escritores pode motivar

Em novembro, participei do grupo NaNo Brasil no Facebook. Pode ser uma coisa meio perigosa, porque para se distrair e perder o dia todo no grupo é um pulo. Mas tinha vezes em que eu via os gráficos dos outros, ou alguém perguntando sobre quem eram os seus protagonistas ou qual a cena mais frenética escrita até o momento, gente falando de sua experiência e pensava: deixa eu fechar isso aqui que eu quero escrever. Com ênfase no quero. Ou seja: eu queria participar das conversas, mas para isso tinha que ter algum conteúdo para mostrar, o que me empolgava para escrever.

Não sei se isso funciona para todo mundo. Enquanto que para mim ver um gráfico bonito, sem nenhuma barrinha abaixo da linha cinza, pode soar como um desafio, uma motivação para escrever mais (quase como uma competição secreta), para você pode ter o efeito contrário, talvez fazendo com que você se sinta pressionado. E, mais uma vez: cuidado para não se distrair.

Também sugiro evitar grupos de escritores que tenham debates negativos, como aqueles em que os membros estão em uma eterna discussão sobre o que é e o que não é literatura. Só vai servir para te irritar.

Outra sugestão de grupo de escritores com debates legais: Clube de Autores de Fantasia. É obviamente focado em ficção especulativa, mas tem vários debates sobre dicas práticas (como worldbuilding e sistemas de magia, ou mesmo coisas mais gerais, como uso de primeira pessoa).



E chega ao final minha série sobre o meu aprendizado com o NaNoWriMo em 2016. Pretendo participar do Camp NaNoWriMo agora em abril, com um projeto novo, então provavelmente só vou retomar Divindade Artificial (e meus posts sobre minhas experiências com o livro) em maio.

E, claro, vou fazer vários posts sobre o meu novo projeto, falando sobre a história, a minha organização para o planejamento e o próprio planejamento em si, além, é claro, dos diários de escrita ao longo do mês de abril.

Espero que você tenha gostado dessa série e que ela de alguma maneira tenha sido proveitosa!



Conheça meus livros publicados

Trópicos Fantásticos


Contos de fantasia, terror e ficção científica ambientados no Brasil.

Não-heroína


Uma super-heroína que se tornou uma tirana em um universo de fantasia épica.

O que eu faria se tivesse uma máquina do tempo?


Uma vigarista imortal que tem que lidar com a irmã e com a falta de pizza em uma São Paulo pós apocalíptica.




Assine a newsletter!
Receba em seu e-mail, mensalmente, novidades para escritores, leitores e blogueiros, conteúdo exclusivo e os últimos posts do SI&F.

ou siga as atualizações do blog nas redes sociais:
Facebook | Twitter | Google + | Instagram | Pinterest

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Sinta-se à vontade para deixar opiniões, dúvidas e sugestões. Se tiver um blog, deixe o link ao final de seu comentário para que eu possa visitá-lo.

Ao comentar, tenha bom senso (ou leia isto), de modo a evitar que seu comentário não seja publicado.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...