24 de fevereiro de 2017

5 coisas que eu aprendi com o NaNoWriMo em 2016 - Parte 2

Em 2016, participei mais uma vez do NaNoWriMo (conheça o projeto que desenvolvi em novembro, Divindade Artificial), e como sempre acontece, aprendi uma coisa ou outra sobre o meu processo de escrita e sobre produtividade. Outro dia, listei 5 coisas que aprendi com o NaNoWriMo em 2016, e hoje trago mais 5:

NaNoWriMo: 5 coisas que eu aprendi sobre escrita, disciplina e produtividade

1. Escrever mesmo sem inspiração, mas aproveitar os dias mais inspirados para superar a meta

Acho que todo mundo concorda que esperar a inspiração não é a melhor estratégia, certo? O que eu aprendi sobre mim em 10 anos de escrita (isso mesmo, em 2017 faz 10 anos que eu escrevo \o/) é que o processo demora para “esquentar”. Mesmo nos piores dias, em que as palavras relutam em aparecer na tela, a escrita começa a fluir se eu forço por mais ou menos meia hora. É aquela história: se não está inspirado, se inspire.

Mas sempre tem aqueles dias em que a história anseia em ser passada para o papel, e nesse último novembro acabei aproveitando esses momentos para superar a meta. Eu simplesmente mergulhava na história e ficava lá escrevendo por horas, sem nem ficar olhando o contador. Quando eu finalmente parava para verificar, via que tinha escrito umas 3 mil ou 4 mil palavras. E, se bater a meta é gratificante, superá-la é ainda melhor, ainda mais depois de uma sessão de escrita tão divertida.

2. Pensar em metas de palavras por dia, e não de capítulos por dia

Quando eu escrevi As Joias do Caos, eu me propus a escrever um capítulo por dia. Na maior parte do tempo isso funcionou, então eu decidi replicar o método em outros projetos. Mas não funcionou com esses outros projetos.

O que eu percebi é que As Joias do Caos tinha capítulos de tamanho mais regular, que rendiam algo em torno de 1500 a 1900 palavras, mais ou menos minha produtividade diária. Mas isso não foi o que aconteceu com A vingança é uma arte/Prelúdio para o novo milênio ou com A Cidade do Futuro. Aí eu acabava que eu não finalizava um determinado capítulo, ficava frustrada por não ter terminado, me propunha a no dia seguinte finalizar esse capítulo e escrever o próximo inteirinho, mas no fim não conseguia escrever porque não era uma meta realizável, e por fim todo o cronograma que eu tinha montado desandava (e eu não gosto quando o cronograma desanda).

O que eu não estava percebendo era que esses capítulos demandavam uma quantidade de palavras que superavam a minha média de produtividade. Desse modo, com Divindade Artificial eu decidi me ater à meta diária. Assim, se eu escrevesse 2 mil palavras e não terminasse o capítulo, não teria problema, porque eu na verdade não escrevi menos do que deveria. E funcionou muito bem!

3. #Escritadodia é legal

Para quem não sabe, a #Escritadodia é uma hashtag usada no Facebook e no Instagram por diversos escritores. A ideia é postar um trecho do que se escreveu no dia junto da hashtag, algumas vezes acompanhado de um diário de escrita. Algumas pessoas escrevem à mão em um caderno ou bloco de papel e fotografam, outras fazem montagens em editores de fotos e há ainda aqueles que postam o texto diretamente na rede social.

Eu decidi escrever à mão e fotografar, o que no final me rendeu algo inesperado: um caderno de inspirações, recheado de trechos de coisas que escrevi (muitas vezes, trechos que provavelmente vão aparecer diferentes em uma segunda versão). É algo legal de guardar, ainda mais quando praticamente todos os dias de um determinado período aparecem lá, seguidos de seu trechinho!

Se quiser ver alguns dos trechos que postei, basta procurar pelas hashtags #Interligado ou #DivindadeArtificial (de preferência essa última, que é o título atual do livro) no Instagram ou no Facebook.

5 coisas que aprendi com o NaNoWriMo 2016 sobre escrita, disciplina e produtividade

4. Esquecer o relógio

Eu não sei se com você isso acontece, mas eu odeio iniciar uma sessão de escrita tendo hora para parar. Prazos como o do NaNoWriMo funcionam bem comigo. Mas, se você leu a primeira parte dessa série, deve ter percebido que eu gosto de flexibilidade, de forma que um prazo de horas diário, em vez de me estimular, me irrita e me pressiona de uma forma negativa.

Claro que durante a semana eu tenho uma determinada hora para dormir (eu escrevo à noite), mas não é algo inflexível: se eu precisar de meia hora a mais para bater a meta, ou se eu já tiver batido mas a coisa estiver fluindo, não tem problema. Mas se, por exemplo, são 19h, mas tenho que parar às 21h porque tem compromisso, é algo de que eu não gosto: posso ter de encerrar a sessão sem ter batido minha meta, posso ter de deixar frases e ideias inacabadas (correndo o risco de esquecê-las), posso até mesmo perder o pique para retomar a escrita quando voltar para casa. Mesmo a hora de dormir me pressionava um pouquinho às vezes: é mais flexível, mas ainda assim eu ficava de olho enquanto estava escrevendo.

Assim, quando sento para escrever, às vezes preciso esquecer o relógio — ao menos, sempre que possível. Com essa pressão deixada de lado, a escrita flui melhor, e eu também escrevo melhor, sem ter de me preocupar em apressar uma cena ou cortar algum acontecimento importante só pela ânsia de bater a meta mais cedo.

5. Desculpas não ficam muito razoáveis diante da meta

Quando você tem um prazo para escrever determinado número de palavras (sejam 50 mil em um mês na época do NaNoWriMo, seja outra quantidade qualquer em outro mês do ano), começa a perceber que as desculpas para não escrever não parecem assim tão razoáveis.

Porque se você deixar de escrever em um dia, terá que escrever a mais nos subsequentes para recompensar. E se você deixa a escrita de lado várias vezes para fazer qualquer coisa, adeus meta, certo?

Eu gosto de pensar na escrita como aquilo que ela é: um trabalho como qualquer outro, que requer dedicação e disciplina. É flexível? Claro. É divertido? Na maioria das vezes. Mas ainda assim é um trabalho. Mas se você é escritor, provavelmente tem outro emprego para se manter (ou talvez ainda esteja estudando). Então pense o seguinte: você faltaria ao trabalho/escola para lavar a louça? Para assistir TV? Para ficar no Facebook? Então não deixe de escrever por esses motivos. Reserve um horário na sua agenda para escrever e evite marcar compromissos nesses horários. Outras tarefas (como ir à academia ou lavar a louça) podem ser realizadas em outros horários que não o de escrever.

Também não seja irrealista e se proponha coisas como nunca mais usar as redes sociais. Você vai quebrar essa promessa bem rapidinho, especialmente se precisar divulgar seus livros ou seu blog ou qualquer outro canal que utilize para publicar seu trabalho (e se você entra lá para divulgar, sempre vai ter um post interessante para ler, um meme engraçado e outras coisas que vão sugar seu tempo e sua atenção).

O ideal seria reservar um tempo todos os dias (vinte minutos, por exemplo) para dar uma olhada no Facebook e se comprometer a não extrapolar esse tempo, e também a não olhar de novo em outros períodos do dia. Use um alarme ou timer para não se distrair. Outra opção — especialmente para quem precisa usar as redes em vários momentos para fazer alguma divulgação — é apenas entrar em momentos de pausa (como as pausas de 5 minutos do pomodoro).

Mas já aviso que não é algo que você vai passar a cumprir da noite para o dia. Mudar hábitos leva tempo. Eu mesma tenho que me esforçar para seguir essa resolução, e muitas vezes acabo falhando.



E foram mais cinco aprendizados com o NaNoWriMo! Ainda tenho mais cinco pontos para discutir, então fique de olho no SI&F para não perder!

A primeira parte dessa série agora também está no Medium. Criei um perfil lá para acompanhar pessoas e sites com conteúdo interessante, e no meu caso, pretendo reunir lá todas as minhas dicas de escrita, como aquelas que publico na newsletter e aqui no SI&F (e quem sabe algumas coisas inéditas), então, se ficar interessado, me siga! E se tiver perfil lá, deixe o link; como eu disse, estou atrás de conteúdo interessante.



Conheça meus livros publicados

Trópicos Fantásticos


Contos de fantasia, terror e ficção científica ambientados no Brasil.

Não-heroína


Uma super-heroína que se tornou uma tirana em um universo de fantasia épica.

O que eu faria se tivesse uma máquina do tempo?


Uma vigarista imortal que tem que lidar com a irmã e com a falta de pizza em uma São Paulo pós apocalíptica.




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