19 de outubro de 2016

Resenhando contos #9 | Lidos em agosto e setembro

Hoje vim aqui fazer uma confissão: não estou cumprindo muito bem minha meta de ler um conto por dia. Os motivos são vários: desde a faculdade que está sempre lá para acabar com todos os meus planos até os milhares de compromissos que vão jogando para mim (e sempre à noite, que é o meu horário sagrado para ler e escrever). E, claro, sempre tem a procrastinação: momentos que eu gasto na internet quando podia estar lendo contos, por exemplo. Mas eu li algumas coisas, e neste post trago o feedback (e a esperança de que eu possa retomar meu projeto corretamente).

Título: O Assassino das Pétalas
Autor: Thiago Lee
Ano de publicação: 2016
Número de páginas: 8

O Assassino das Pétalas é um conto de suspense de Thiago Lee, que foi um dos brindes na segunda edição do Pacotão Literário. É um conto bem curto, mas ainda assim marcante. Contado em primeira pessoa, traz um recurso narrativo muito interessante, que dá um toque diferente. Os diálogos são muito bons, bem realistas. Apenas uma fala ou outra soou um pouco formal demais. Quanto ao final, porém, creio que poderia ter sido um pouco (mas só um pouco) mais trabalhado: senti que faltou um pouco de impacto. Em resumo, recomendo muito a leitura! 




Título: Chaga
Autora: Fernanda Castro
Número de páginas: 4

Chaga é um conto que fala sobre morte e sobre a separação da alma do corpo; não tem como falar muito mais sobre a premissa sem dar spoilers.

Gostei bastante do conto. Não esperava ver urubus sendo utilizados como criaturas fantásticas, e esse foi um ponto que achei bastante criativo. Ele é bem curtinho, tem apenas três páginas, mas a leitura foi bastante imersiva. Talvez, se os demais sentidos, além da visão, tivessem sido um pouco mais explorados, o conto seria ainda melhor (mas não é nada que estrague a experiência).

Ganhei o conto ao assinar a newsletter do The Bookworm Scientist, Destinos Traçados. Se você se interessou pela premissa, é só assinar também!




Título: O dia em que decidi morrer
Autora: Francine Porfírio
Ano de publicação: 2016
Número de páginas: 22
Sinopse: “Sempre fui reservado. Acho que apenas perdi a tênue distinção entre a privacidade e a solidão. Não sei quando comecei a me sentir assim. Sinceramente, não importa. Eu passei pelos dias, os dias passaram por mim.”
Um conto sobre suicídio.

O dia em que decidi morrer é um conto que fala de suicídio. É narrado em primeira pessoa, então entramos na mente do protagonista e podemos entender por que ele deseja colocar um fim em sua vida.

O conto é bem escrito e bem revisado. No entanto, em alguns momentos senti que a autora jogou informações demais de uma vez, e isso prejudicou um pouco a imersão. Se essas informações tivessem sido colocas em momentos mais oportunos (algumas até mesmo deixadas para a imaginação do leitor), talvez a imersão dentro da história e da realidade do personagem tivesse sido mais intensa e alguns acontecimentos tivessem maior impacto.

O final também ficou um pouco apressado, mas, no geral, o conto me agradou muito e cumpriu seu propósito, que era mostrar o que acontece na mente de alguém que flerta com o suicídio. No final do e-book, a autora frisa o quanto é importante falar sobre o suicídio e sua prevenção, com links para que o leitor possa se informar.




Título: O Silêncio de Gael
Autor: Hugo Sales
Ano de publicação: 2016
Número de páginas: 8

O conto O Silêncio de Gael foi, junto de O Assassino das Pétalas, um brinde do Pacotão Literário. A premissa é bem interessante, mas no fim ele acabou me decepcionando, e o responsável foi a narrativa. Ela conta demais, sem se deter nas cenas pelo tempo devido. Assim, o clima de horror acabou não sendo bem construído, e com isso o desfecho não me impressionou. Foi tudo rápido demais, e eu não tive tempo nem mesmo de me importar com os personagens ou me interessar pelo elemento de horror. O que é uma pena, porque poderia ter sido um ótimo conto se esses pontos tivessem sido melhor trabalhados.




Título: Kowai: você tem medo do escuro?
Autor: Valquiria Vlad
Número de páginas: 31
Sinopse: Um dia antes do assassinato de seus pais adotivos, Dandara Hills liga para a emergência denunciando o homicídio que está prestes a acontecer. No entanto, sua acusação é tomada como trote e a morte deles não pôde ser evitada. Agora, como única testemunha do crime, Dandara é a chave que a polícia precisa para localizar os assassinos. Só há um problema: Dandara é cega de nascença, e todas as suas respostas sobre o ocorrido se resumem a “Kowai”. Desamparada, a menina é levada para a casa da agente federal Alma Lobster, encarregada de cuidar da criança enquanto o restante da família não é localizada. Ao mesmo tempo, a oficial tenta descobrir informações que possam ajudar a desvendar este mistério. Entretanto, durante sua busca por respostas, Alma pode encontrar algo ainda mais assustador: a própria morte.

Kowai: você tem medo do escuro? tem uma premissa interessante: na véspera da morte de seus pais adotivos, Dandara Hills liga para a emergência avisando do assassinato que está para acontecer. Obviamente, sua ligação é tomada como um trote, mas o assassinato acontece, conforme ela previu. Ela é a única testemunha, o que é um problema, já que é uma garota cega que não pode oferecer muitas pistas aos policiais.

O conto começou bem, apesar de algumas coisas na narrativa terem me incomodado. Uma delas foi o narrador onisciente, que salta de ponto de vista em ponto de vista dentro do mesmo subcapitulo. Embora não seja um erro, apenas uma escolha narrativa, não é a minha favorita. Mas o que me incomodou de verdade foram as infodumps: a narrativa é interrompida várias vezes para que se possa explicar sobre os personagens e sua vida, e há até mesmo um pouco de descrição psicológica (que é algo que me incomoda muito).

O enredo foi para um caminho que eu não esperava e, embora tenha sido interessante, não gostei da execução. Não tem muito como falar sobre isso sem dar spoilers, mas algumas cenas e personagens apresentados no final destoam do que é mostrado no início, o que me causou certo estranhamento. Em alguns momentos fiquei me perguntando por que um determinado personagem demonstrou certa atitude se isso não fazia parte de sua personalidade.

No geral, foi um conto com uma premissa bastante interessante, mas que no final acabou me decepcionando na execução.




Título: Morto depois de ler
Autor: Valquíria Vlad
Ano de publicação: 2014
Número de páginas: 22
Sinopse: Affonso Dee é um famoso editor colombiano que faz sucesso nos Estados Unidos por sua estranha habilidade de transformar em pérolas cada manuscrito em que toca. Porém, ao receber uma carta de seu avô na qual diz estar muito doente, se vê obrigado a passar com ele seus últimos dias de vida. É quando as coisas começam a ficar estranhas. O velho Alonzo diz que sombras vêm à noite para dançar em seu quarto. Julgando-o senil, ele não dá crédito a suas palavras. A última coisa que o ouviu dizer, contudo, foi para que partisse rumo ao antigo rancho da família, onde se esconde um livro amaldiçoado que deveria ser queimado antes que mais algum Dee pudesse ler... Tentado, ele irá descobrir que há muito mais no sucesso patrimonial da família do que um simples tato para os negócios.

Morto depois de ler, assim como o outro conto de Valquíria Vlad, também tem uma ideia interessante, envolvendo livros, maldições e mortes. Tinha tido para ser um conto muito interessante, no entanto, falhou na execução. 

A trama foi bem trabalhada, mas o que não me agradou foi a escrita. Ela não é exatamente apressada, mas conta muito. Os sentimentos dos personagens são nomeados, por exemplo, em vez de poderem ser deduzidos pelo leitor a partir de pistas deixadas na narrativa. Outra coisa que me incomodou foram os diálogos, ou pelo menos alguns deles. Eles não têm propósito, não fazem a história andar, ao mesmo tempo em que me deram a sensação de que, caso tivessem sido melhor trabalhados, teriam se tornado mais relevantes e servido para construir o clima de mistério (que, aliás, está bem pouco presente no restante da narrativa, também).

Em nenhum momento o conto me deixou tensa com o que poderia acontecer a seguir. Todos esses elementos acabaram por não trazer imersão à leitura; não que ela seja enfadonha, mas não consegui me sentir dentro da história.




Título: O Céu de Lilly
Autor: Fábio M. Barreto
Ano de publicação: 2014
Número de páginas: 15
Sinopse: Lilly viveu boa parte da sua vida temendo uma ameaça inexplicável num mundo distópico, mas no momento de maior desespero ela vai precisar de toda a coragem para enfrentar a verdade.

Lilly vive em um futuro distópico e vê sua vida desmoronando aos poucos. Primeiro, é seu pai quem desaparece, em seguida, sua mãe. Ela parte com outras crianças fugitivas, lideradas pela única mulher que ficou para trás, mas, aos poucos, elas também desaparecem e morrem, e Lilly logo se vê em uma jornada solitária.

A narrativa logo me enredou, sendo eficiente em transmitir todas as emoções presentes na história: a devastação, a melancolia, o medo da ameaça misteriosa que paira no céu, para o qual Lilly é aconselhada a não olhar. Aliás, o mistério em torno dessa ameaça foi muito bem trabalhado. Não é um conto com grandes plot twists ou recheado de cenas de ação ou conspirações, mas não é, também, o tipo de narrativa que pede isso. O desfecho combinou com o tom melancólico do conto, apesar de ter dado sua ponta de esperança, e me agradou bastante.


2 comentários :

  1. Fiquei aqui admirando por meia hora a resenha, hahaha. Fico muito feliz que você tenha gostado de conhecer Chaga e Amina. :)
    Cá pra nós, também acho que essa história merecia ser mais comprida... É que ela foi originalmente pensada para um concurso da Amazon que tinha limitação de caracteres. Mas tenho planos de revisitar esse mundo qualquer dias desses, sabe? Algum dia em que Chaga venha novamente cochichar no meu ouvido... ;)

    Fernanda - The Bookworm Scientist

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    Respostas
    1. Que bom que ficou feliz com a resenha! E, realmente, os limites desse concurso foram um grande desafio (também participei, hahaha).
      E se Chaga vier sussurrar em seu ouvido, espero ficar sabendo!
      Abraços.

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