24 de outubro de 2016

Resenha | A Redenção do Anjo Caído

Título: A Redenção do Anjo Caído
Autor: Fabio Baptista
Ano de publicação: 2016
Editora: FSB Books
Número de páginas: 311
Compre A Redenção do Anjo Caído
Sinopse: Após refletir sobre a Batalha da Queda dos Anjos e outros eventos ocorridos em sua longa existência, Lúcifer conclui que é inútil continuar lutando contra a onipotência, onisciência e onipresença do Altíssimo. Decide então se render e, com esse intuito, vai ao Paraíso, onde Deus lhe faz uma proposta: para ter chances de ser perdoado, ele deverá vir a Terra, na condição de mortal, e, aqui, precisará conviver e fazer algo bom pela humanidade que tanto despreza.
No mundo dos homens, o Anjo Caído buscará sua redenção.
E conhecerá o verdadeiro inferno.

Há muito tempo, Lúcifer reuniu seguidores e se insurgiu contra Deus, visando tomar seu lugar. A empreitada foi mal sucedida e Lúcifer foi atirado ao Inferno junto com seus seguidores, onde continuou a traçar planos para vencer o Altíssimo e tomar seu lugar. Entretanto, após tanto pensar, concluiu que, sendo Deus onisciente, qualquer tentativa estaria fadada ao fracasso, e por isso decide pedir perdão. Deus então lhe faz uma proposta: Lúcifer será perdoado e todos os seus pecados esquecidos se ele aceitar permanecer na Terra como um humano e, nesta condição, fazer algo de bom pela humanidade.

Lúcifer desperta em São Paulo como um mendigo e, desorientado e sem saber por onde começar, recebe a ajuda de Gisele, uma garota de dez anos que se vira muito bem entre os sem-teto. Dessa forma, enquanto procura pensar em um meio de começar a fazer algo de bom pela humanidade, vai aos poucos se metendo nas intrigas dos mendigos e se afeiçoando a Gisele.

Nos primeiros capítulos, A Redenção do Anjo Caído não se mostra uma história tão diferente de outras sobre anjos que vemos por aí. O leitor é apresentado à história que todos conhecem sobre a batalha no Paraíso e a queda de Lúcifer (e acredito, inclusive, que o livro se alongou um pouco nessa parte). Isso muda, entretanto, quando chegamos à parte da prova de redenção de Lúcifer. Colocá-lo em um cenário brasileiro, em uma jornada quase solitária, foi uma sacada interessante, que fez com que esta não fosse só mais uma história sobre os anjos e suas batalhas grandiosas. Gostei bastante de acompanhar a forma como Lúcifer vai descobrindo nosso mundo como um mortal e se enredando cada vez mais nas picuinhas dos humanos e em uma trama de conspiração e poder, usando principalmente de sua astúcia para chegar aonde quer — pois tomou o desafio de fazer algo pela humanidade como algo pessoal, que pretende cumprir à sua maneira.

Para isso, o cenário urbano foi muito bem caracterizado — e utilizado. Alguns dos personagens apresentados são bastante críveis, e embora não houvesse demanda para que todos fossem explorados a fundo, me convenceram como pessoas que têm seus sonhos e enfrentam seus problemas, como todo ser humano. O mesmo não aconteceu no caso dos anjos e dos demônios, e, embora eu saiba que são criaturas diferentes, que talvez não tenham as mesmas necessidades e forma de pensar dos humanos, senti falta de uma caracterização mais sólida, menos estereotipada em alguns casos. A única exceção é, claro, Lúcifer.

A narrativa é em terceira pessoa, onisciente. Apesar de um pouco pomposa no início, muda o tom quando o cenário passa a ser a Terra, e é ágil e descritiva na medida certa, me fazendo visualizar o cenário sem me tirar da história. Porém, achei que algumas frases ficaram um pouco longas demais e faltou mostrar mais, em vez de contar, em algum trecho ou outro, o que às vezes me deu a sensação de estar vendo a história de longe em vez de ser atirada na mente dos personagens. Os diálogos foram bem construídos (cada personagem tem seu padrão de fala bem definido) e, muitas vezes, foram responsáveis por trazer alguns dos momentos mais engraçados da história. Aliás, fiquei com a sensação de que o livro tinha a intenção de ser um pouco satírico, desde a ironia quase constante de Lúcifer até as torturas absurdas e exageradas que os demônios impõem uns aos outros.

O final (especialmente no caso das cenas de ação) ficou um pouco corrido, mas fugiu dos caminhos mais óbvios e me agradou. A revisão ficou muito boa: só tropecei em um ou dois errinhos de digitação ao longo de toda a história. Em resumo, A Redenção do Anjo Caído me agradou bastante, apesar de ter seus defeitos, e é uma boa pedida para quem quer uma história de anjos que fuja da maioria dos clichês.

Avaliação:

Trama: 4
Narrativa: 3
Personagens: 3
Caracterização: 5
Coerência: 4
Criatividade: 4
Revisão: 5


O e-book foi cedido em parceria com Fabio Baptista; saiba mais sobre o autor aqui.


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