5 de outubro de 2016

Resenha | Jovens de Elite

Título: Jovens de Elite (volume 1)
Autor: Marie Lu
Ano de publicação: 2016
Editora: Rocco
Número de páginas: 304
Sinopse: Bestseller do The New York Times com excelente repercussão entre público e crítica, Jovens de Elite é o primeiro de uma série de fantasia ambientada na era medieval e protagonizada por jovens que desenvolvem estranhas cicatrizes e poderes especiais ao sobreviverem a uma febre que dizimou boa parte da humanidade. Entre eles está Adelina, que, após se rebelar contra o destino imposto a ela por seu pai, encontra um novo lar na sociedade secreta Jovens de Elite, vista por alguns como um grupo de heróis, por outros como seres com poderes demoníacos. Heroína ou vilã? Num mundo perigoso no qual magia e política se chocam, Adelina descobre o lado sombrio de seu coração. Da mesma autora da aclamada trilogia Legend, Marie Lu, Jovens de Elite é o início de uma saga arrebatadora. Perfeita para fãs de histórias de fantasia medieval como Game of Thrones, com vilões dignos de Star Wars e X-Men.

Adelina Amouteru vive em um mundo que, há dez anos, foi devastado por uma febre. Muitos adultos morreram, enquanto que as crianças que foram afetadas acabaram marcadas e muitas delas descobriram que têm poderes. São os chamados malfettos, que são marginalizados na sociedade por suas deformidades e pelos poderes que possuem e perseguidos pela Inquisição. Adelina é um deles. Devido à febre, seus cabelos se tornaram prateados e ela perdeu um olho, enquanto que sua irmã não parece ter sido afetada pela febre.

Por esse motivo, Adelina não tem o amor do pai e muitas vezes inveja a irmã Violetta, que apesar de também sofrer abusos, é mais bem tratada. Certa noite, Adelina decide fugir e, quase pega pelo pai, seus poderes finalmente se revelam e ela o mata. Pouco depois, ela e a irmã são pegas pela Inquisição, e no dia da execução de Adelina, ela é salva pelos Punhais, uma sociedade secreta de Jovens de Elite — os malfettos que têm poderes.

A trama de Jovens de Elite não tem elementos assim tão inovadores. Afinal, ele é sobre uma garota quase comum, que ama muito sua irmã e faria de tudo para protegê-la, inclusive mentir e trair — e essa trama não é algo que nunca vi antes. O que eu gostei mesmo nesse livro foi de como isso serviu para caracterizar os personagens, para trazer à tona o que há de pior neles.

Por isso, eu gostei muito de Adelina. Ela não é a garota inocente que vemos protagonizando outros livros YA. Em vez disso, ela tem seu lado negro, que vem à tona em vários momentos da história. Ao mesmo tempo, também é imatura (o que é condizente com sua idade) e insegura, até mesmo um pouco carente de atenção e carinho (o que condiz com a forma como foi tratada pelo pai), o que várias vezes a impacta negativamente ao longo da história. Ou seja, os vários defeitos não só existem como também são importantes para o desenvolvimento da personagem — que se torna mais sombria e ganha um pouco de confiança conforme ela aprende a controlar seus poderes. Ou seja, ela me convenceu como pessoa.

Outra coisa de que gostei muito foi da forma como a autora explorou o relacionamento de Adelina com sua irmã, e de como ele foi usado para mover a trama e a personagem. O romance também existe — já nas primeiras páginas é possível deduzir os outros dois vértices do triângulo amoroso —, mas achei interessante o fato de ele não ter tomado mais importância que o amor de Adelina por sua irmã, e gostei também que a autora deu um rumo um pouco mais inesperado para esta parte da história. Ou seja: Adelina não se esquece da irmã ou de si mesma pelo romance, o que para mim soou muito mais crível (afinal, ela conviveu por muito mais tempo com a irmã do que com os Punhais).

Enzo, Rafaelle e Teren também são bons personagens. Não tão bem explorados quanto Adelina, mas, ainda assim, críveis e interessantes. Os demais Punhais não tiveram suas personalidades tão bem delineadas, mas não vi isso como um problema tão grave, já que são poucos os momentos em que se mostram importantes — ainda que, é claro poderiam se tornar personagens bem interessantes se bem trabalhados.

A narrativa é em primeira pessoa quando sob o ponto de vista de Adelina e em terceira quando no ponto de vista de outros personagens. Embora não veja essa escolha como um erro, achei que o livro ganharia mais potencial de a narrativa fosse inteiramente em terceira pessoa. Embora possa ter sido um bom recurso para evitar a confusão que vários pontos de vista em primeira pessoa podem trazer, eu não senti a voz dos personagens a cada mudança de ponto de vista.

Além disso, em alguns trechos a narrativa conta muito, em vez de mostrar. Temos, por exemplo, sentimentos mencionados na narrativa, em vez de pistas e sensações que pudessem levar o leitor a deduzir esses sentimentos, e, embora isso não tenha prejudicado a minha imersão na leitura, acredito que algumas cenas teriam ficado ainda mais impactantes se a autora tivesse dado atenção a isso.

O worldbuilding me agradou. Embora acredite que alguns detalhes pudessem ter sido melhor explorados, achei que o preconceito contra os malfettos foi bem aproveitado. Também gostei de o livro ter escapado da ambientação medieval a que estamos acostumaods: pelas descrições e a julgar pelos nomes, imagino que a autora tenha inspirado seu mundo na Itália renascentista. A única coisa que me incomodou um pouco é que a questão das consequências da febre que devastou o mundo não foi tão bem explorada — essas consequências são mencionadas várias vezes, mas não senti elas impactarem tanto o dia-a-dia e as decisões dos personagens.

Em resumo, Jovens de Elite foi um livro que me agradou muito, embora alguns detalhes não tenham sido tão bem trabalhados quanto podiam.

Avaliação:

Trama: 4
Narrativa: 3
Personagens: 4
Caracterização: 3
Coerência: 5
Criatividade: 3
Revisão: 5


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