14 de outubro de 2016

Especial Contos de Taverna | Entrevista: L. A. Nuñes

Hoje eu trago mais uma entrevista com um autor de Contos de Taverna! Conheça Lucas Amaral, ou L. A. Nuñes, criador do Clube de Autores de Fantasia e autor de Sobárvore, um dos contos que compõem antologia.


Sonhos, Imaginação & Fantasia: Em primeiro lugar, deixe que os leitores te conheçam: fale um pouco sobre você.

L. A. Nuñes: O meu nome é Lucas Amaral, mas no meio literário optei pelo pseudônimo de L. A. Nuñes. Sou graduado em jornalismo e possuo MBA em marketing digital. Tenho 28 anos e vivo em Lagoa Santa, uma cidadezinha próxima a Belo Horizonte, com meus pais, meu irmão e um casal de cães boxers, Jozan e Obara. Atualmente, trabalho como redator freelancer, e possuo mais de 200 artigos e ebooks publicados em diversos sites sobre marketing online.
Passemos adiante e vamos além dos detalhes curriculares. Meu apelido é Cuca, um aspirante a escritor sem manuscritos completos, mas diversos contos publicados em antologias impressas, na Amazon e no Wattpad. Sou um grande fã de literatura fantástica, principalmente a fantasia, ramo no qual me inspiro principalmente em George Martin (As Crônicas de Gelo e Fogo), Alan Moore (Watchmen, V de Vingança), Patrick Rothfuss (A Crônica do Matador de Rei), Joe Abercrombie (A Trilogia da Primeira Lei), Tolkien (O Senhor dos Anéis) e Eiichiro Oda (One Piece).
Sou também um grande incentivador da criação de mundos e atmosferas fantásticas, e idealizei, há dois anos, o Clube de Autores de Fantasia. Meu maior sonho é poder viver da literatura e encantar os leitores.

SI&F: O que te despertou o desejo de passar histórias para o papel (ou para a tela)?

Nuñes: Em 2014, eu vivia muito mal. Não no sentido financeiro. Eu morava em Belo Horizonte com minha avó, onde levantar diariamente e enfrentar a rotina na agência em que trabalhava era uma tarefa árdua. Eu ainda cursava MBA, inclusive nos finais de semana, então não tinha tempo para visitar minha família ou amigos, que permaneciam em Lagoa Santa.
Foi quando decidi começar a escrever literatura. Conheci uma plataforma chamada Widbook e, no próprio site, postei os primeiros capítulos de uma obra (a qual até hoje não terminei) chamada Vestígios Heroicos, uma fantasia medieval.
À noite, sob a luz da escrivaninha, tinha meus únicos momentos felizes e, em menos de três meses, minha obra recebeu vários elogios e tornou-se a mais lida no Brasil no gênero fantasia, e uma das 10 mais lidas no geral.
Porém, tudo isso era realizado sem suporte algum. Eu não tinha muitos amigos que gostavam de literatura, e queria fazer daquilo uma profissão. Então, criei o Clube de Autores de Fantasia, e comecei a recrutar autores nacionais a dedo. Foi uma tarefa complexa, mas, com o tempo, conheci pessoas maravilhosas, com sonhos semelhantes, e hoje tenho orgulho de dizer que o CAF é uma família que se expande a cada dia.
Possuo vários amigos no meio literário, e convido você, que lê essa entrevista, a participar conosco. Somos quase 3 mil membros, e posso dizer com tranquilidade que eu provavelmente teria desistido não fossem os companheiros de escrita. Lá, você encontrará desde escritores já consagrados a iniciantes, todos eles buscando formar-se como escritor, algo que, todos sabemos, é muito difícil em nosso país.

SI&F: Sobre o que você mais gosta de escrever?

Nuñes: A vertente que mais me chama a atenção é a fantasia épica, não necessariamente medieval. Porém, há uma temática que você poderá observar na maioria das minhas obras: a revolução. Tenho profundo fascínio por histórias de resistência e embates contra governos opressores.
Como bom amante da filosofia, procuro sempre incitar reflexões, o que considero um fator de responsabilidade social. Isso às vezes me traz algumas críticas, mas considero primordial para me sentir realizado.

SI&F: Você já tem algum trabalho publicado? Fale um pouco sobre eles.

Nuñes: Como dito anteriormente, todo o meu trabalho publicado está em antologias. Publiquei pela editora Andross nas antologias Imaginarium: Contos Fantásticos; Marcas Eternas: Contos Sobre o Amor; Círculo do Medo e Outrora. Também tenho contos nas antologias das editoras Darda e Illuminare, respectivamente nas obras Maravilhosas Distopias e Ano 2500: Um Novo Mundo. Teoricamente, deveria ter um conto publicado também pela editora Buriti, em Mundos 04, mas a antologia não saiu do papel.
Ressalto aqui que, em todos os casos, publiquei através do que convencionou-se chamar de vanity press, ou seja, eu paguei pelas publicações. Eu era um escritor iniciante e não recomendo essa prática a nenhum autor. Se quiser publicar, utilize os meios tradicionais ou o financiamento coletivo. É preciso valorizar a profissão em nosso país.
Atualmente, trabalho nas minhas duas obras principais: Vestígios Heroicos, citada no início da entrevista; e O Timbre Magista, uma fantasia cômica. Tenho também algumas histórias publicadas no meu perfil no Wattpad, incluindo um livro denominado Como Escrever um Livro de Fantasia em que, como iniciante, passo algumas das experiências para ajudar outros escritores.

SI&F: Fale um pouco sobre o seu conto para a antologia Contos de Taverna. Como surgiu a ideia?

Nuñes: A antologia Contos de Taverna é um projeto que visa mostrar a força dos grupos sociais formados na internet. Caso se concretize, isso provará o quanto o próprio autor é uma figura importante no mercado editorial. Todos os participantes são amigos e ótimos escritores, escolhidos a dedo para o primeiro projeto.
Meu conto, Sobárvore, é ambientado no mesmo cenário fictício de Vestígios Heroicos. Essa é uma técnica que recomendo muito, que é a escrita de contos para complementar o worldbuilding e até mesmo para fixar os aspectos contextuais de uma obra fantástica.
Nele, um dos personagens presentes na obra original conta, sob um ponto de vista diferente daquele relatado pelos livros santos do sistema religioso dominante, a história da origem de uma das mais famigeradas espadas do continente Corinnah. Nos alfarrábios religiosos, muito se fala sobre Tolon Iorque, considerado um herói legendário, mas pouco se diz sobre Loran Bello, seu fiel escudeiro. Essa narrativa relata a participação do companheiro em suas façanhas mitológicas do passado.

SI&F: Como é seu processo de escrita?

Nuñes: Sendo bem sincero, utilizo dois formatos bem distintos. Para escrever Vestígios Heroicos, por exemplo, é um processo minucioso e, por isso mesmo, demorado. São mais de 20 personagens de pontos de vista, o que inclui flashbacks, sendo, portanto, um roteiro não-linear. Eis o motivo de eu me prolongar tanto para escrevê-lo. A estruturação precisa ser acurada, então eu releio praticamente tudo antes de redigir um novo capítulo.
Já em O Timbre Magista e outros textos, a escrita é mais fluida. Diariamente, após o cansativo dia de trabalho, eu simplesmente me sento em frente ao computador e deixo as palavras saltarem pelos dedos. Depois, reviso tudo, modificando e substituindo trechos que não agradaram e fazendo as devidas correções.
Talvez eu tenha começado pelo livro errado. Eu nunca havia estudado estruturas narrativas, mas queria criar um mundo complexo, com diferentes elementos culturais, religiosos, étnicos, personagens complexas e com backgrounds devidamente bem elaborados, mais ou menos como faz George Martin.
Hoje, com muito mais conhecimento técnico, após a leitura de diversos livros como O Herói de Mil Faces (Campbell) e A Jornada do Escritor (Vogler), as palavras fluem com mais naturalidade. Tornar-se um escritor é um processo muito mais difícil do que se pensa, e exige muito estudo. Essa seria a minha maior dica para os iniciantes.
Em termos factuais, eu diria que o processo que utilizo segue a seguinte linha cronológica: roteiro e estruturação; escrita e revisão. Pode parecer simples, mas eles são remodelados rotineiramente.

SI&F: Você tem algum projeto para os próximos meses, além de Contos de Taverna?

Nuñes: Pretendo finalizar O Timbre Magista ainda neste ano e, em caso de sucesso em Contos de Taverna, tenho planos para realizar novos projetos através do financiamento coletivo. Penso em uma antologia de temática folclórica, mas sinceramente, eu ainda não sei.
Esse tipo de projeto demanda um trabalho enorme e, é importante frisar, não traz nenhum lucro. Algumas pessoas podem duvidar das intenções. Para elas, eu gostaria de deixar claro: meu objetivo é, sim, viver de literatura, e buscar um formato de negócio que seja benéfico tanto para autores quanto para a editora. Mas eu sou um cara bem simples, e não tenho o objetivo de enriquecer. Quero apenas viver daquilo que amo e ter condições de pagar as contas.
No entanto, em Contos de Taverna, a obtenção de lucro é algo que foi deixado de lado. Fazemos pela paixão à literatura e para ceder espaço a autores que pretendem fazer da escrita um meio de vida.

SI&F: Por fim, que dica daria aos demais escritores? O que você aprendeu com sua jornada até o momento?

Nuñes: Existem diversas dicas práticas em Como Escrever um Livro de Fantasia, mas posso citar algumas que se encaixam para qualquer escritor, em qualquer nível de profissionalismo.
Em termos de escrita, algo que teria facilitado muito o meu caminho seria a utilização de um roteiro bem elaborado. Não tenha pressa em confeccioná-lo. Sem problemas se durar um ano ou mais. Isso evitará o retrabalho. Uma ótima ideia pode ser desperdiçada se você não conseguir transmiti-la de maneira organizada.
Sobre a publicação: no Brasil, é muito difícil ser escritor. Seu manuscrito será negado por diversas editoras, disso não tenha dúvidas. Mas a persistência se faz necessária, pois as organizações recebem uma quantidade muito grande de manuscritos e, portanto, nem sempre reconhecerão o poder da sua obra no início. Procure também alternativas como a autopublicação e o financiamento coletivo. 
Portanto, por mais clichê que isso possa soar: não desista dos seus sonhos. Às vezes você será criticado. Eu já cheguei a recusar ofertas de emprego para receber seis vezes mais do que ganho atualmente, pois no formato atual, tenho tempo para escrever literatura. Se as pessoas me julgam? O tempo inteiro. Não se importe com isso. Sonhos são mais importantes que dinheiro.
E, finalmente, finalizo com uma dica que tenho observado sob o ponto de vista de especialista em marketing online: os autores nacionais de maior sucesso são aqueles que utilizam sua presença digital para aproximar-se dos leitores. Essa tendência é deveras importante.
Observe como aqueles que utilizam-se das mídias sociais são também os mais bem sucedidos, como Carolina Munhóz, Eduardo Spohr e Raphael Draccon, além de diversos YouTubers. As pessoas não compram apenas histórias, mas também relacionamento. Construir uma base de fãs e interagir com eles é tão importante quanto ter um bom conteúdo.



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