7 de outubro de 2016

Especial Contos de Taverna | Entrevista: J. M. Beraldo

Continuando com a série sobre Contos de Taverna, hoje trago uma entrevista com J. M. Beraldo, escritor e game designer que participa da antologia com o conto Segunda Chance.


SI&F: Em primeiro lugar, deixe que os leitores te conheçam: fale um pouco sobre você.
João Beraldo: Olá! Meu nome é João Marcelo Beraldo, sou escritor e game designer, carioca, mas há anos sou um nômade, mudando de tempos em tempos de cidade e estado.
Trabalho criando jogos há mais de 10 anos, do conceito à história, das regras aos testes antes e depois do lançamento. Já trabalhei em mais de uma dúzia deles, de jogos pequenos de Facebook a monstros enormes para PC e consoles.

SI&F: O que te despertou o desejo de passar histórias para o papel (ou para a tela)?
João: O excesso de ideias, eu acho. Já desde pequeno adorava desenhas e rabiscar histórias diversas em papel sem lá saber muito como fazer isso direito. No meio do caminho apareceram os RPGs, que me deram a primeira oportunidade de criar e apresentar essas histórias para outras pessoas. Da brincadeira veio um projeto sério de jogo que comportava muitas ideias, mas não todas. Então resolvi escrever um livro com as ideias que não se encaixavam no jogo. Daí para frente não parei mais.

SI&F: Sobre o que você mais gosta de escrever?
João: Um pouco de tudo. Tive de aprender no trabalho a me adaptar a gêneros diferentes, públicos diferentes, mas sempre gostei de fantasia e ficção científica. Só que não adiante só ser isso. A história tem que me interessar num nível pessoal, tem que ter algo que eu queira explorar, uma ideia, uma situação, um personagem, uma relação. No final das contas o que eu mais gosto de escrever é aquela nova ideia que está martelando para sair da minha cabeça, seja lá qual for.

SI&F: Você já tem algum trabalho publicado? Fale um pouco sobre eles.
João: Tenho 4 romances e uma penca de contos publicados (além de uma dúzia de jogos).
Os romances são:
Véu da Verdade (2005), uma aventura espacial inspirada em séries de TV e filmes, sobre a tripulação de um transporte espacial em um universo onde a Humanidade é a ralé da Galáxia;
Taikodom: Despertar (2008), lançado em paralelo ao jogo online Taikodom, do qual eu era responsável pelo conteúdo. É uma história de intriga em um futuro distante onde a Humanidade abandonou a Terra. É mais político que Véu da Verdade, mas ainda envolve muita ação e combates espaciais;
Império de Diamante (2015), um épico fantástico inspirado em mitos e culturas africanas. É a história de um deus-vivo que desaparece após conquistar quase todo o continente de Myambe, e um grupo de personagens, cada um com seus próprios interesses em descobrir a verdade sobre esse deus;
Último Refúgio (2016), é uma fantasia urbana no mesmo universo de Império de Diamante, mas passado em uma ilha inspirada nos mitos e culturas indianas, mas ainda com a influência africana. É a história de uma jovem que cria sonhos para os aristocratas de uma cidade à beira da revolta.
Você encontra mais sobre meus contos na minha página no Skoob.

SI&F: Fale um pouco sobre o seu conto para a antologia Contos de Taverna. Como surgiu a ideia?
João: Segunda Chance foi uma daquelas inspirações que vem logo de cara e não querem ir embora enquanto não forem desenvolvidas. Em Império de Diamante existe uma taverna cuidada por um personagem incomum, um sujeito dissimulado que passa trabalhos para caçadores de recompensas, um sujeito sem as mãos. A história dele nunca foi contada, e vi nessa antologia a chance de fazê-lo.
O conto traz o ponto de vista desse homem, Odongo, e um acerto de contas. Tem a participação especial de Kasim, protagonista dos meus dois últimos livros.

SI&F: Como é seu processo de escrita?
João: Acho que a cada livro mudo um pouco.
Geralmente começo escrevendo a ideia em uma página, como se fosse a história contada cronologicamente, sem segredos. Depois tento reduzir isso em uma sinopse de uma ou duas linhas, para ter certeza que eu sei qual é o foco da história. Daí faço uma lista enorme onde escrevo mais ou menos um parágrafo para cada capítulo do que eu espero que seja a história. Nesse meio do caminho eu já estou rabiscando cenas e diálogos que vão surgindo, além de pesquisar sobre culturas e lendas que se relacionem de algum jeito à história.
Por fim eu escrevo de verdade, mais ou menos seguindo essa lista (mas nem sempre). Tento não focar em sair um texto pronto, mas sim colocar os diálogos e ações importantes. Com sorte chego no final desse rascunho inicial em pouco tempo. Aí deixo ele de lado por algumas semanas antes de reler tudo.
Nesse ponto eu geralmente encontro buracos na história original ou pontos onde eu posso expandir ou melhorar. Então revejo aquela lista de capítulos, mudo, anoto, e começo a fazer uma nova versão do livro em cima do rascunho.
Depois que tiver terminado, o livro agora umas 3 vezes maior que o rascunho, eu deixo de lado por mais algumas semanas.
Volto a ler mais uma vez, fazendo ajustes aqui e ali, então mando para alguma alma caridosa que eu confie para ler e me mostrar o que ficou bom ou ruim no livro. E aí é mudar o que precisar mudar antes de mandar para uma editora, o que às vezes significa reescrever de novo mais uma vez dependendo da opinião do editor.

SI&F: Você tem algum projeto para os próximos meses, além de Contos de Taverna?
João: Muitos!
Meu quinto livro, Laicus, sairá esse semestre ainda. É uma história de terror passada no Rio de Janeiro de 1810, sobre um ex-padre Português que chega à cidade e acaba se envolvendo em uma conspiração macabra.
Tenho um jogo de computador chamado Strike Squadron: Caracará saindo em breve. É um jogo de ação sobre pilotos latino americanos e africanos em uma missão de paz no espaço. É ligado a um novo livro meu que, espero eu, vai sair em 2017.
Tenho também alguns outros projetos que não posso falar muito, como um jogo de realidade virtual para a Samsung que sai no início de 2017, um jogo de mobile chamado Mine Quest 2 e contos, muitos contos!

SI&F: Por fim, que dica daria aos demais escritores? O que você aprendeu com sua jornada até o momento?
João: A principal coisa que eu aprendi foi a ter paciência.
Mentira, eu não aprendi. Ainda dou ansioso! Mas aprendi que eu preciso TER paciência, porque o processo todo, de ter uma ideia até vê-la pronta nas mãos de um leitor é longo. Reescrever faz parte do negócio e conseguir ser lido e reconhecido demanda esforço e sorte.
Então sejam pacientes! (e continuem lendo e escrevendo, claro!)

***


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