4 de julho de 2016

Resenha | Recall

Título: Recall (Brasil Cyberpunk 2115 #2)
Autor: Rodrigo Assis Mesquita
Ano de publicação: 2016
Editora: Independente
Número de páginas: 135
Sinopse: As pessoas recebem um chip de identidade ao nascer.
Em 2115, uma corporação lança androides indistinguíveis de humanos. O Governo contra-ataca e adota um recall para monitorar os cidadãos. "Sem chip, sem direitos".
Hel, em dúvida da sua humanidade, envolve-se em uma conspiração que pode resultar na mudança de política ou na própria morte.

Recall tem início pouco tempo depois dos acontecimentos do primeiro volume da série de novelas, Você não pode ter tudo o que quer. Um pouco maior que o volume anterior, se aprofunda tanto nos personagens (e, desta vez, mergulhamos nos pontos de vista de vários personagens além de Hel) quanto no universo. A trama gira em torno do recall, uma ação do governo que visa substituir os chips intracranianos de todos os cidadãos por um novo modelo. E isso preocupa Hel, que não mais tem certeza de que é completamente humana e busca desvendar o próprio passado, tentando entender por que não possui um chip intracraniano. Enquanto isso, seus novos amigos (Lobo, Fabi, etc.) procuram ajudá-la enquanto lidam com as ameaças do governo e protestos contra o recall.

Desse modo, a trama é um pouco mais complexa que a do livro anterior, e foi bem elaborada e bem conduzida, conseguindo equilibrar os objetivos de cada um dos personagens dentro da trama maior e mais complexa envolvendo o recall e o governo. E, apesar da maior quantidade de personagens, nada foi explorado de forma superficial, especialmente se considerarmos que é um livro pequeno (ainda que bem maior que o volume anterior).

A expansão do universo foi algo que tornou o livro muitíssimo interessante (tanto que devorei tudo em um único dia), e foi feita de forma coerente, adicionando elementos novos ao que já foi apresentando e dando uma nova camada de profundidade. Com esses detalhes, fica a impressão de que o Brasil de 2115 é tão caótico e complexo quanto o atual, o que certamente ajudou muito a tornar esse mundo e os personagens mais reais na mente do leitor.

Em relação aos personagens, eles foram bem caracterizados. Em um livro desse tamanho, não há espaço para explorar a fundo suas personalidades, mas foram dados detalhes suficientes para que eles convencessem como pessoas, especialmente dentro do contexto em que estão inseridos.

A escrita foi eficiente em caracterizar o universo e os personagens e em me manter mergulhada na história. Em nenhum momento foi rasa ou apressada demais, equilibrando os detalhes na medida certa para atiçar a imaginação do leitor. A única coisa que me incomodou foi que, em alguns trechos, a sucessão de várias frases curtas acabou quebrando a imersão. Um equilíbrio um pouco melhor de frases curtas e outras um tanto mais longas teria contribuído para melhorar a fluidez — mas não é nada que atrapalhe todo o conjunto.

O final trouxe uma bela reviravolta. Encerrou a história de maneira satisfatória, ao mesmo tempo deixando aqueles ganchos que o farão desejar o próximo volume imediatamente. Em resumo, Recall foi uma excelente sequência, e certamente a série toda vale muito a pena.

Avaliação:

Trama: 5
Narrativa: 4
Personagens: 5
Caracterização: 5
Coerência: 5
Criatividade: 5
Revisão: 4


Rodrigo Assis Mesquita é autor parceiro do blog; confira abaixo resenhas de outros contos e novelas:

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