9 de maio de 2016

Resenha | A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison

Título: A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison (Brasiliana Steampunk #1)
Autor: Enéias Tavares
Ano de publicação: 2014
Editora: Fantasy
Número de páginas: 320
Sinopse: Porto Alegre. Dirigíveis gigantescos dominam o céu. Abaixo, o vapor cinzento dos bondes, das fábricas e dos estaleiros ao redor soma-se à fumaça dos charutos, dos cachimbos e das cigarrilhas. Vozes robóticas, barulho de hélices e maquinários misturam-se ao alarido do povo. De um Zepelin, desembarca Isaías Caminha, um jornalista carioca enviado à cidade para escrever uma matéria sobre o assassino em série Antoine Louison, que há poucos dias assombrava o local com um verdadeiro show de horrores — a exposição dos órgãos de suas vítimas. A aventura começa depois que o Dr. Louison, finalmente capturado e preso no hospício, desaparece misteriosamente de sua cela de segurança máxima sem deixar vestígios. Nesta busca pelo paradeiro do assassino, Isaías e um grupo de investigadores ainda vão topar com conhecidos do Dr. Louison, pertencentes a uma sociedade secreta de intelectuais, chamada Parthenon Místico, que estão dispostos a tudo para defendê-lo e desmascarar os criminosos. Esses amigos de Louison são alguns aclamados personagens da literatura brasileira, em reinvenção — Rita Baiana e Pombinha, de Aluísio Azevedo, Simão Bacamarte, de Machado de Assis, Solfieri, Álvares de Azevedo, entre outros.

A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison ganhou o Concurso Fantasy de 2014 e eu, é claro, não deixaria de conferir. O livro é ambientado no começo do século XX em uma Porto Alegre retrofuturista, composta de robôs, dirigíveis e outras tecnologias movidas a vapor, e conta a história de Antoine Louison, um médico e assassino cruel.

Esse livro tem uma narrativa completamente diferente: é uma reunião de cartas, transcrições de gravações e noitários produzidos pelos personagens, e a impressão que se tem é que você pegou o arquivo de um caso criminal. O livro poderia, perfeitamente, ser narrado da maneira convencional, mas o modo escolhido deu a ele um ar totalmente diferente. Além disso, os relatos em primeira pessoa são de diversos personagens, o que permite conhecermos alguns deles bem detalhadamente.

Alguns desses personagens são de domínio público, de obras de autores como Machado de Assis e Aluísio de Azevedo, reinventados para participar dessa trama, mas ainda gostei mais dos personagens originais: Louison e sua amante, Beatriz. Todos os personagens de mais importância são bem explorados e podemos mergulhar em suas mentes através da narrativa, mas a história é sobre esses dois.

A trama, aliás, é muito boa. Há assassinatos grotescos, misticismo, tecnologia e sociedades secretas, mas outros temas também são abordados, como a escravidão e a situação da mulher no início do século XX, e isso deu humanidade à trama que é também charmosa, misteriosa e, claro, muitíssimo interessante. E nada é óbvio: o enredo segue para um caminho que, ao menos para mim, foi totalmente inesperado (e mesmo assim se encaixou muito bem).

A único ponto negativo, na minha opinião, é que a tecnologia não teve o destaque que eu esperava; gostaria de ter visto um pouco mais sobre como ela afeta a Porto Alegre alternativa imaginada pelo autor e espero que este aspecto seja mais explorado nos volumes seguintes ou em outras histórias.

Mas, no geral, A Lição de Anatomia me agradou bastante e inclusive foi uma das minhas melhores leituras de 2015; mal vejo a hora de mergulhar em outras histórias desse universo.

Avaliação:

Trama: 5
Narrativa: 5
Personagens: 5
Caracterização: 4
Coerência: 5
Criatividade: 5
Revisão: 5


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