21 de maio de 2016

Lançamento de "Sombras" + entrevista com a autora

Hoje trago uma excelente novidade para vocês: a parceira Jana P. Bianchi lançou recentemente um novo e-book. O conto, ambientado no mesmo universo de A Galeria Creta, é intitulado Sombras, e conta a história de Domenico Trovatelli, o lobisomem mais antigo do mundo. O conto tem uma capa linda (com a arte de Caique Guerra), e já está disponível para compra na Amazon:

Título: Sombras
Editora: Independente
Ano de publicação: 2016
Número de páginas: 40
Adicione: Skoob | Goodreads
Sinopse: Um lobisomem pressente quando vai morrer. Esta é a história de Domenico Trovatelli, o lobisomem mais velho do mundo. Enquanto se prepara para sua última transformação em um convento no interior de Minas Gerais, Nico conta sua história. Uma história de espada e magia, sangue e flores, lealdade e amor.

Embora Sombras seja ambientado no mesmo universo de A Galeria Creta, não é continuação de Lobo de Rua (embora tenhamos o aparecimento de nosso adorado Tito Agnelli), então você pode ler o conto mesmo que não tenha lido a novela (mas eu recomendo que o faça em algum momento, pois garanto que terá uma excelente leitura)! Na página A Galeria Creta, no Facebook, vocês podem conferir mais detalhes sobre o novo conto.

E agora eu os convido a conhecer um pouco melhor a Jana P. Bianchi na entrevista abaixo, em que ela fala um pouco sobre si e seu processo criativo, sobre alguns detalhes de Sombras e Lobo de Rua e, claro, sobre seus futuros planos literários; confiram:

Sonhos, Imaginação & Fantasia: Primeiramente, fale um pouco sobre você. Quais são suas inspirações? O que despertou o seu desejo de contar histórias?

Jana P. Bianchi: Tudo me inspira! Clichê, mas é bem verdadeiro, hehehe... A inspiração vem tanto do entretenimento que eu consumo quanto das coisas que eu vivo ou vejo na rua. E como eu estou escrevendo mais baixa fantasia urbana agora, essa inspiração pelo que vejo por aí está aflorada. Toda vez que vejo uma coisa meio deslocada ou meio sem explicação na rua, começo a arrumar justificativas que se encaixem em algum universo de fantasia urbana. Quanto à outra pergunta: comecei a contar historinhas quando eu tinha sete anos, e continuei fazendo isso regularmente até hoje. Acho que eu já tinha umas ideias birutas, aí meu pai me ensinou a usar um programa de processamento de texto no computador dele e me deixava brincar de escrever o que dava na telha (ele tem até umas coisas guardadas ainda, eu era bem maluquinha mesmo hahaha). Mas eu resolvi que queria contar histórias pra outras pessoas lerem bem recentemente. A semente nasceu quando estava no meio da faculdade, lá pra 2010, e se consolidou bem quando eu me formei. Posso dizer que estou mais envolvida com a escrita desde 2014.

SI&F: Como funciona o seu processo de escrita?

Jana: Nada muito mirabolante! Geralmente pego uma ideia bem macro e, em cima dela, desenvolvo uma premissa simples. Pra mim, a escrita só flui mesmo se eu tiver o esqueleto dela planejado, então em cima da premissa faço um outline – isso funciona tanto pros contos como pro romance que estou escrevendo. E quanto à minha rotina de escrita: geralmente escrevo de noite, depois da janta. Chego do trabalho, tomo banho, resolvo algumas coisinhas pendentes (90% delas relacionadas à literatura, de algum modo), janto, e aí começo a escrever. Costumo escrever entre duas e três horas por dia, o que é bem pouco, então de fim de semana eu tento compensar e escrever mais. Mas confesso que ando muito dispersa, fazendo outras coisas enquanto escrevo, o que obviamente não dá certo. Mas estou acertando a rotinha pouco a pouco com o romance, quero alcançar uma média de umas cinco mil palavras por semana. Socorro. J

SI&F: Em Lobo de Rua, você aborda com bastante naturalidade os aspectos da vida de um menino de rua, assim como as diferentes ambientações em São Paulo. Como foi o processo de pesquisa?

Jana: Então, não fiz nenhum “laboratório”. A ambientação foi mais fácil porque, apesar de ser do interior, vou bastante pra São Paulo passear, visitar os amigos e meus primos. Já tenho a atmosfera da cidade na cabeça e as coisas mais específicas eu pesquisei no Google e perguntei pra amigos que moram por lá. Pra falar da vida do Raul eu fui no feeling, mas me baseei no que a gente vê nos filmes e na mídia. Fiz alguma pesquisa na Internet também. Eu visitei bastante duas páginas (e continuo visitando regularmente, porque são ótimas): Humans of São Paulo e SP Invisível. A primeira segue o modelo da Humans of New York, uma página que posta fotos com pequenas histórias de cidadãos da cidade abordados aleatoriamente na rua. O SP Invisível se baseia mais ou menos nesse princípio, mas as postagens são sempre de pessoas vulneráveis e “invisíveis” da cidade. O Raul podia ser vários dos meninos que já apareceram na página.


Lobo de Rua físico, cortesia da autora!

SI&F: Você optou pela publicação independente, e, como tudo na vida, ela tem suas vantagens e desvantagens. O que você poderia falar sobre elas?

Jana: As vantagens e desvantagens da produção independente decorrem do mesmo fato: você está trabalhando sozinho e não deve nada pra ninguém. Isso é bom porque, além de se familiarizar com todas as etapas do processo editorial e ainda ficar com aquela sensação deliciosa de “eu que fiz”, você pode ter a liberdade de fazer as coisas como quiser. Mas isso também é ruim porque: 1. Nem sempre a maneira com que você quer fazer as coisas é a melhor (depois você descobre que geralmente não, na verdade hahaha) e 2. Dá um baita trabalho fazer as coisas como a gente quer. Isso falando só da produção do livro, que é só metade do trabalho. Depois, na hora de divulgar, distribuir e vender o seu livro, também tem vantagens e desvantagens em ser independente. A principal desvantagem é que nosso alcance, como indivíduos, é bem menor do que o alcance de uma editora, uma empresa especializada em distribuir livros. Além disso, nem todos os canais são abertos – por exemplo, tem muitas livrarias que só compram livro de entidades que emitam nota fiscal (que não é o meu caso, também). Produções independentes – impressas – também são mais caras que as de editoras, o que também é um obstáculo tanto na venda direta quanto na consignação – em geral, não vale a pena deixar o livro na livraria por causa da margem que ela ainda vai colocar em cima do seu preço. Como já começamos com o valor do livro alto, fica quase inviável. A parte boa é que o escritor está em contato direito com grande parte das pessoas que compram o livro (também, mais pro físico, isso). Então o retorno do leitor é facilitado, porque você já cria um certo laço quando vende o livro e tal. E retorno do leitor é sempre maravilhoso: ajuda a empolgar e também é super útil pra mostrar as falhas e os acertos do que a gente escreveu.


E ainda veio autografado <3

SI&F: O que podemos esperar de Sombras?

Jana: Sombras é uma noveleta, tem a metade do tamanho de Lobo de Rua. Ela nasceu quando fui convidada para participar de uma coletânea, mas no fim ela acabou não acabou saindo e eu fiquei com vontade de publicar o que tinha escrito em versão digital. A história conta a cerimônia de despedida do lobisomem mais antigo do mundo. Quando um lobisomem morre de velhice, ele pressente a morte uma lua cheia antes e há essa tradição de chamar os amigos e contar fatos notáveis sobre sua vida para essa “última alcateia provisória”. Se passa no mesmo universo do Lobo de Rua, então a mitologia dos lobisomens é a mesma, mas tem uma ambientação bem diferente: a cerimônia de despedida acontece nos dias de hoje, em um santuário na serra de Minas Gerais, e os flashbacks se passam na europa medieval. Então não é exatamente uma fantasia urbana, é uma mistura de fantasia rural (hahaha) e fantasia história. É um conto bem sossegado, e meio emocional também.

SI&F: Escritores estão sempre aprendendo com seus erros e acertos. Assim sendo, quais seriam as suas dicas para novos autores, especialmente para aqueles interessados na publicação independente?

Jana: Bom, eu ainda estou no processo de errar e acertar muito, mas posso falar algumas coisas que funcionaram pra mim. J O que aprendi de mais útil é que é essencial estar em contato com outros escritores e autores. De preferência, uma mistura de iniciantes e experientes. Além de rolar uma troca natural de dicas e também de inspirações e discussões mais técnicas, estar entre outros escritores geralmente significa: 1. Ler muito material experimental de outras pessoas e 2. Ter feedbacks constantes. O primeiro ponto é importante porque qualquer curva de aprendizado se beneficia dos acertos e erros dos outros. Às vezes você enxerga um problema no texto de alguém que joga uma luz sobre algo que você vinha fazendo errado e não estava notando. E ambos os pontos são importantes pra criar na gente um equilíbrio de autocrítica e humildade, que acho que é essencial na vida de qualquer pessoa que cria conteúdo. Não é legal achar que sua obra é um lixo, mas tampouco é útil achar que você é o melhor escritor do mundo e não tem nada pra melhorar. Outra coisa: estudar é preciso. Escrever é uma arte, uma mistura de inspiração, “talento”, treino e técnica. Há maneiras e maneiras de se estudar escrita, mas recomendo que todo escritor iniciante dê uma procurada em pelo menos um pouco de cada tema. Escrita criativa, técnicas de escrita mesmo (tipo, maneiras de construir o texto), técnicas pra aumentar a criatividade... Isso, aliado com bastante leitura – de todos os tipos, não só do tipo do livro que você está escrevendo – sem dúvida é essencial. Pra qualquer escritor, eu acho. E outra “dica”, dessa vez bem voltado para os independentes: é muito bom e muito útil criar e manter uma base de leitores sempre alimentada com coisinhas novas. Página do Facebook, newsletter, blog... Eu tenho uma página no Facebook mesmo, onde postos coisinhas esparsas, promoções, lançamentos novos... É legal ser visto sempre, porque pouco a pouco as pessoas vão falando de você e sempre lembram do seu nome quando surge uma oportunidade de recomendar um livro. Fora que você faz ótimas amizades. J

SI&F: Além das histórias no universo de A Galeria Creta, você tem outros planos literários para o futuro?

Jana: Claro! Tenho planos literários para os próximos cinquenta anos, mais ou menos hahaha... Agora estou trabalhando no romance que conta a história de Téo na Galeria, e no futuro ainda quero escrever mais sobre a vida pregressa de Tito. Mas fora desse universo tenho duas ideias principais, fora os embriões de várias outras. Depois do romance devo começar a desenvolver uma dessas duas ideias: uma alta fantasia com uma ambientação que lembra um pouco o período colonial brasileiro ou um juvenil ambientado no litoral do Brasil. ACHO que vou começar pelo juvenil, porque tive uma ideia muito mágica e acho que gostaria de escrever pra leitores mais jovens. Vamos ver. Mas se tudo der certo, estes e outros projetos devem sair nos próximos anos.


Jana também contribuiu com minha coleção de marcadores!

SI&F: Muito obrigada por suas respostas. Há algo mais que você gostaria de acrescentar?

Jana: Obrigada você, Laís! Quero agradecer o seu apoio e seu comprometimento em divulgar e estimular o consumo da fantasia nacional. Seu blog é ótimo, fico feliz de ter sido sua uma das primeiras resenhas do Lobo de Rua! Hehe... Aproveitando o ensejo, gostaria só de reforçar pra quem estiver lendo o quão importante é esse apoio à fantasia brasileira. Vale tudo: mensagem inbox, post, resenha, comentário no Goodreads, Amazon, Skoob... Não tem nada mais legal que receber um retorno sobre o que a gente escreveu, sendo bom ou crítico. J

***


E é isso aí, pessoal! Não deixem de conferir Sombras e Lobo de Rua, e, sempre que puderem, deixem feedback sobre suas leituras, mesmo que seja só um parágrafo. E vale lembrar que a Jana também tem contos publicados na 9ª edição da Trasgo e na antologia aqui do SI&F, Trópicos Fantásticos.

ATUALIZAÇÃO: A resenha de Sombras já foi publicada e você pode ler aqui.

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