9 de março de 2016

Resenha | Léxico

Título: Léxico
Autor: Max Barry
Ano de publicação: 2015
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 368
Sinopse: Uma organização treina jovens talentosos para controlar a mente e o comportamento das pessoas usando combinações específicas de palavras. Os iniciados deixam suas verdadeiras identidades para trás e passam a usar nomes de poetas.
Identificada como um prodígio na arte da persuasão, Emily Ruff, que ganha a vida com truques de cartas nas ruas de São Francisco, é enviada para o treinamento em uma escola da organização e começa a aprender a técnica letal. Quando os líderes da instituição descobrem que ela está se envolvendo com outro aluno, Emily recebe uma missão aterrorizante.
Wil Parke, carpinteiro, sofre de amnésia. Um dia ele já soube o significado da palavrárida, um artefato com o poder de colocar o planeta em risco. No entanto, não lembra mais. Wil é sequestrado por dois agentes brutais, que acabaram de matar sua namorada, desesperados para impedir que um membro da organização, de codinome Virginia Woolf, cause uma grande destruição.
Em seu novo livro, Max Barry constrói uma trama sombria na qual as palavras são como armas e os tipos mais vis usam como pseudônimos grandes nomes da literatura.

Léxico traz uma premissa muitíssimo interessante: o controle das pessoas de diferentes personalidades por meio de conjuntos específicos de palavras. Esse controle é estudado e praticado por uma organização especial, cujos membros (que usam nomes de poetas famosos para esconder suas identidades) são treinados de modo a identificar as personalidades das pessoas a serem controladas e a usar as palavras corretas para isso.

Em meio a isso tudo, o autor nos apresenta dois protagonistas: Wil Parke, que perdeu a memória e é perseguido e sequestrado por dois homens, cujos objetivos são obscuros, e Emily Ruff, que foi convidada a estudar para se tornar uma poeta. Em paralelo, conhecemos a história de Broken Hill, uma cidade australiana que foi dizimada por uma palavra.

Com essa premissa, o livro nos envolve em uma trama interessante e bem elaborada, com pistas que são apresentadas aos poucos e nos surpreendem a cada capítulo.

A narrativa em terceira pessoa se alterna entre os pontos de vistas de vários personagens, mas, principalmente, Wil e Emily. É satisfatória durante grande parte do tempo, mas ficou apressada em alguns pontos e, especialmente no começo, um tanto confusa; apesar de ter entendido que o objetivo era mostrar a desorientação de Wil, que havia perdido a memória e se encontrava em uma situação da qual não entendia nada, a narrativa ao meu ver não deve confundir o leitor também (e sim mostrar a confusão do personagem). No entanto, isso aconteceu só nos primeiros capítulos, e no restante do livro a escrita fluiu bem e cumpriu seu papel de me deixar presa à história.

Cada um dos personagens mais importantes têm ponto de vista e por isso podemos conhecer e compreender um pouco de cada um, mas o melhor caracterizado foi Emily Ruff. Quanto aos demais, porém, senti que mereciam um pouco mais de atenção, especialmente Wil (embora não deixem de ser bons personagens). Ainda assim, eles vão se revelando aos poucos junto com o andar da trama, o que foi muito interessante.

A trama se revela nos últimos capítulos, mas algumas coisas são deixadas para o leitor e, no todo, o final me deixou satisfeita. O ponto alto foi mesmo a ideia de usar palavras para convencer (e por consequência controlar) pessoas, que me atraiu muito e me deixou presa à história do início ao fim.

Avaliação:

Trama: 5
Narrativa: 3
Personagens: 3
Caracterização: 4
Coerência: 4
Criatividade: 5
Revisão: 5



Este livro foi lido cumprindo a etapa gênero menos lido em 2015 (no meu caso, ficção científica) do Desafio Literário Premiado Grupo Obverso Books-2016. É um desafio que ocorrerá durante todo o ano de 2016 e tem como objetivo desafiá-lo a ler 36 livros com temas específicos. Os leitores que cumprirem as metas mensais e a anual concorrerão a sorteios de livros e de um e-reader ao final do ano. O desafio é realizado pelo blog Os Nós da Rede e promovido por outros 12 blogs:

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