28 de janeiro de 2016

Resenha | Demônios não Choram

Título: Demônios não Choram
Autor: Samuel Cardeal
Ano de publicação: 2013
Editora: Independente
Número de páginas: 360
Sinopse: O ano é 2184, a tecnologia avançou de forma veloz e assustadora. A sede do homem pelo “progresso” fez se exaurir grande parte das reservas naturais do planeta. Diante da escassez geral de alimentos e fontes de energia, a terceira grande guerra foi inevitável. Depois de um confronto sangrento de violência irracional e desenfreada, a guerra acabou, e o resultado: todos foram derrotados.O mundo que conhecemos hoje foi reduzido a destroços de uma civilização que não mais existe. Mais de 90% da população foi dizimada. Diante da fragilidade dos sobreviventes, as criaturas que antes viviam nas trevas, escondidas e agindo enquanto todos dormiam, fizeram do planeta destruído seu domínio. Os humanos, aterrorizados, passaram a se esconder em abrigos subterrâneos e em velhas galerias de esgotos.É nesse cenário caótico que Ezequiel, um caçador de demônios, viverá a jornada que mudara totalmente o rumo de sua vida e da de muitos outros. Um cavaleiro solitário que vaga pelas terras devastadas, caçando e eliminando os Filhos do Inferno. Mas Ezequiel não tem esperança de um futuro melhor, persegue os infernais somente por ser a única coisa que sabe fazer.Quando o caçador, após um exorcismo, se vê obrigado a levar consigo a menina que salvou, uma onda de acontecimentos o conduz à derradeira aventura que culminará no embate final entre a Terra e o Inferno. Somente um será o vencedor, e o destino do que resta da humanidade depende da coragem de Ezequiel e dos aliados que se juntarão a ele nesta incrível e perigosa jornada. Se falharem, Terra e Inferno passaram a ser um só mundo, de eterno castigo para todas as almas humanas.

Como a sinopse resume muito bem a premissa do livro, passarei direto às minhas considerações. Já tinha visto algumas resenhas deste livro em outros blogs e, como todas eram elogiosas, não hesitei em clicar no botão “compre” quando o livro ficou gratuito na Amazon. Mas, como todos que acompanham sabem, quase todo dia tem promoção de livro gratuito, então fui lendo outros e adiando a leitura deste. Até que surgiu o desafio literário 2016 (que descreverei logo abaixo), em que uma das metas era ler um livro que estivesse há mais de um ano na estante. Como não tinha nenhum livro largado há mais de um ano em minha estante física, parti para a virtual, e dentre os e-books mais antigos, este parecia ter a premissa mais interessante.

O livro começou bem, já me envolvendo em um mundo distópico com aqueles termos que são jogados sem maiores explicações para mostrar um personagem acostumado ao seu cotidiano e despertar minha curiosidade, levando-me a virar as páginas. Alguns problemas, como vírgulas fora de lugar e “há” no lugar de “a” me saltaram aos olhos, mas nada numa frequência muito acima da aceitável.

Porém, conforme eu avançava, outras coisas começaram a me incomodar, como falas que pareciam maduras demais para crianças, a narrativa que se tornava apressada em alguns pontos, as emoções que eram contadas em vez de mostradas. As cenas de ação não passam a devida emoção, algumas até chegaram a ficar confusas, obrigando-me a reler o trecho para atribuir cada ato ao personagem. As descrições foram vagas: embora eu não seja a favor de descrições longas e detalhistas, senti falta de ser tragada para dentro da história, de ver o mundo devastado, sentir o medo de encarar o demônio, a urgência de concluir uma tarefa a tempo.

Quanto aos personagens, achei alguns razoavelmente bem caracterizados — como Ezequiel, o protagonista, e Giovanni, um mafioso que é um dos inimigos. Entretanto, outros personagens de certa importância não tiveram a devida atenção, assim como os relacionamentos entre eles, que surgem rápido demais (como ocorreu com o interesse romântico do protagonista) ou deixam de existir com muita facilidade (como a morte de uma amiga de Ezequiel, que foi totalmente esquecida, sem nenhuma menção de luto).

Além disso, algumas coisas na construção do mundo me incomodaram. Uma delas é o fato de os personagens terem acesso a conhecimentos sobre os anos anteriores que dificilmente teriam sobrevivido à devastação, especialmente de épocas anteriores ao seu nascimento. Os demônios também foram mal explorados: pouco se menciona sobre suas capacidades e como cada arma (água benta, exorcismos, entre outras) pode detê-los. há, ainda, momentos em que os personagens convenientemente têm acesso a livros ou objetos que trazem soluções fáceis aos problemas.

O que me prendeu ao longo de toda a leitura foi o enredo: a mistura de distopia com demônios me soou criativa e muito atrativa, e, ao final do livro, a trama se mostrou interessante e bem arquitetada, apesar dos deslizes. Infelizmente, não foi o suficiente para compensar a decepção que tive com os outros elementos.

Avaliação:

Trama: 4
Narrativa: 2
Personagens: 2
Caracterização: 2
Coerência: 3
Criatividade: 4
Revisão: 3



Este livro foi lido cumprindo a etapa livro há mais de um ano parado na estante do Desafio Literário Premiado Grupo Obverso Books-2016. É um desafio que ocorrerá durante todo o ano de 2016 e tem como objetivo desafiá-lo a ler 36 livros com temas específicos. Os leitores que cumprirem as metas mensais e a anual concorrerão a sorteios de livros e de um e-reader ao final do ano. O desafio é realizado pelo blog Os Nós da Rede e promovido por outros 12 blogs:

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