30 de novembro de 2015

[Resenha] A Ilha dos Dissidentes

Título: A Ilha dos Dissidentes (Trilogia Anômalos #1)
Autor: Bárbara Morais
Ano de publicação: 2013
Editora: Gutenberg
Número de páginas: 304
Sinopse: SER LEVADA PARA uma cidade especial não estava nos planos de Sybil. Tudo o que ela mais queria era sair de Kali, zona paupérrima da guerra entre a União e o Império do Sol, e não precisar entrar para o exército. Mas ela nunca imaginou que pudesse ser um dos anômalos, um grupo especial de pessoas com mutações genéticas que os fazia ter habilidades sobre-humanas inacreditáveis. Como única sobrevivente de um naufrágio, ela agora irá se juntar a uma família adotiva na maior cidade de mutantes do continente e precisará se adaptar a uma nova realidade. E logo aprenderá que ser diferente pode ser ainda mais difícil que viver em um mundo em guerra.

A Ilha dos Dissidentes tem uma premissa que pode parecer batida, mas que ainda assim poderia ter sido muito interessante pois mutações genéticas que dão à pessoa poderes especiais é um tema que sempre pode trazer discussões novas e empolgantes, ainda mais em um mundo distópico. Apesar disso, o livro me decepcionou.

A história já começa repleta da ação: Sybil Varuna fugia de Kali, um local atingido pela guerra, porém, o navio em que viajava naufragou. Ela foi a única sobrevivente, e por isso se descobriu que ela é uma anômala com a capacidade de sobreviver debaixo da água. Na sociedade em que vive, os anômalos são vistos praticamente como uma aberração, e por isso devem evitar se misturar com as pessoas tidas como normais, existindo até mesmo cidades especiais para eles; Sybil vai parar em uma delas: Pandora.

Ali, conhece sua família adotiva, adapta-se à nova escola e faz amigos. No colégio, começa a aprender como controlar e usar seus poderes, logo despertando a atenção e sendo, por isso, enviada em uma missão misteriosa junto de três amigos.

A trama toda do livro gira em torno dessa missão, o que a deixou muito concisa — algo que não é ruim, mas acabou sendo um dos pontos que me decepcionou. Esperava algo muito mais elaborado e com mais reviravoltas, especialmente pelo potencial que o tema escolhido pode oferecer. Além disso, percebe-se que a autora tentou criar um bom motivo para que as autoridades resolvam enviar adolescentes para executarem suas missões mas, ainda assim, soou um pouco forçado.

Outro ponto que me incomodou foi que as coisas foram apresentadas de maneira um pouco apressada, tanto em relação ao mundo e à condição dos anômalos quanto em relação aos personagens, cujos relacionamentos se desenvolvem muito rapidamente, quase de maneira instantânea. Sybil tem pouco tempo para se adaptar a Pandora antes de partir em sua missão, mas mesmo assim se apega aos amigos a ponto de morrer por eles e a evolução de sua relação com a família quase não foi mostrada.

Além de ter achado as relações entre os personagens mal trabalhadas, também não vi nada de especial neles. Sybil e os principais personagens têm suas personalidades definidas, mas em uma história como essa, muitas oportunidades de explorar suas fraquezas foram perdidas. Há um início de romance, que apesar de previsível, ao menos não surgiu instantaneamente.

A narrativa é em primeira pessoa e no presente, que não é meu estilo favorito, mas não é ruim: o livro é muito bem escrito e bem revisado, e, apesar de alguns momentos um tanto apressados, a narrativa é capaz de entreter o leitor, especialmente nas cenas de ação.

A caracterização do universo idealizado pela autora foi outra coisa que prejudicou o livro. Como em outras distopias, a autora optou por mudar o nome de países hoje existentes (temos a União, onde vive Sybil, e o Império do Sol, inimigo da União), entretanto, a história é explicada de maneira vaga, assim como a guerra. Ademais, há diversos outros pontos que poderiam ter sido explorados de maneira mais ampla, como a maneira como a sociedade trata os anômalos, por exemplo.

O final é o ponto alto da história, com muita ação e muitos mistérios sendo revelados e surgindo. O desfecho, ao mesmo tempo em que se mostra satisfatório para esse primeiro volume, cumpre seu papel de fisgar o leitor e fazê-lo buscar os próximos volumes. Em resumo, A Ilha dos Dissidentes, apesar de cumprir seu papel de entreter o leitor, não se mostra muito diferente de outras distopias voltadas para o público jovem, e poderia ter sido um livro mais marcante se todo o potencial da premissa tivesse sido aproveitado.

Avaliação:

Trama: 3
Narrativa: 4
Personagens: 2
Caracterização: 2
Coerência: 4
Criatividade: 3
Revisão: 5


Outros livros de Bárbara Morais:

Trilogia Anômalos
  1. A Ilha dos Dissidentes
  2. A Ameaça Invisível
  3. A Retomada da União

Antologias

Conto
  • Risos no Cemitério

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