8 de julho de 2015

[Resenha] As Faces da Luz

Título: Arcantatys #1 – As Faces da Luz
Autor: Tatiane Durães
Ano de publicação: 2014
Editora: Independente
Número de páginas: 452
Sinopse: Ao ser forçada a atravessar um portal por um imenso lobo, Tayara se depara com um mundo que jamais imaginara, elfos e bruxas passam a fazer parte de sua realidade. Mas o que ela não sabe é que seu destino fora traçado muito antes de seu nascimento.
Agora ela terá que escolher entre a razão e o coração, pois ao se apaixonar por um elfo, descobre que uma forte maldição a prende a ele.Uma aventura repleta de magia e descobertas se inicia.

Tayara é uma garota comum, vivendo de maneira pacata com a mãe em uma casa perto de uma reserva florestal. Até que um imenso lobo surge nos arredores da casa, e Tayara logo percebe que este não é um lobo comum. Em um dia de muita névoa, este força Tayara e sua mãe a atravessarem um portal, e estas se descobrem em um mundo chamado Arcantatys, onde seres como elfos, bruxos, lobos e vampiros, dentre outros, convivem, nem sempre de maneira pacífica. Lá, Tayara descobre seus poderes e sua mãe, Sonia, se revela meio-elfa, e as duas logo são introduzidas a uma batalha que há muito tempo vem acontecendo em Arcantatys: a batalha entre a luz e as sombras.

Com essa premissa, o livro traz uma trama interessante que me prendeu ao livro e cumpriu seu papel de entretenimento, embora tenha alguns pontos negativos. Como exemplos, eu poderia citar a guerra entre a luz e as sombras, que poderia ter sido melhor explicada e explorada com mais profundidade, e uma coisa que acontece com a protagonista mais para o final do livro, cuja ligação com a trama principal não foi bem estabelecida (apesar de ser uma trilogia; acredito que a autora tenha deixado essa questão para os próximos livros). Por outro lado, gostei da maneira como a autora relacionou a vida e a missão atual de Tayara a uma de suas encarnações anteriores, uma bruxa chamada Agatha (embora mesmo isso pudesse ter sido melhor trabalhado).

Arcantatys é um mundo que apresenta muitas criaturas, como as já citadas, e tem potencial para ser um universo muito rico. Porém, a autora não trabalhou muito bem as relações entre essas criaturas e a cultura (ou diferentes culturas, no caso dos elfos) de cada uma, algo que teria dado mais profundidade ao conflito de luz e sombras e às relações entre os diferentes reinos élficos, além de dar a esse universo a riqueza que ele merece. Um ponto positivo quanto à ambientação, porém, é que a autora quebrou um pouco o clichê de elfos como seres bondosos, calmos e ligados à natureza. A ligação com a natureza está lá, é claro, mas alguns dos elfos apresentados estão longe de serem criaturas calmas e bondosas (embora os mesmos merecessem um pouco mais de destaque).

Os personagens foram, aliás, um ponto negativo no livro. Além de ter faltado uma caracterização mais forte (até mesmo da protagonista), os relacionamentos entre eles (seja romântico, de amizade ou inimizade) foram pobremente desenvolvidos. Em primeiro lugar, os sentimentos surgem muito rapidamente (como por exemplo o romance entre Cedric, o rei dos elfos, e Sonia, a mãe de Tayara, e a amizade de Aagje, filha de Cedric, e Tayara), e o outro problema é que esses sentimentos não são usados para desenvolver os conflitos ou as alianças entre os personagens.

A narrativa é em primeira pessoa, alternando-se entre Tayara e o rei Cedric, e apesar de ser fluída, ela é pouco profunda e detalhada, tanto nas ações (que são narradas de maneira apressada) quanto nas descrições, em que falta vivacidade. Isso dificultou que eu me sentisse dentro do livro, vivendo a história e não lendo-a, pois a narrativa não passa as emoções para o leitor. Aliás, acredito que a narrativa fraca foi um dos elementos que levou à caracterização pobre (tanto do universo quanto dos personagens) que citei acima.

A magia é outro ponto que poderia ser melhor trabalhado. Neste livro foram apresentados dois tipos de magia: a dos bruxos e a dos elfos. Esta é pouco explorada neste volume, mas a magia dos bruxos foi muito utilizada por Tayara (que se descobriu uma bruxa) e outros personagens bruxos em lutas, por isso precisava ser melhor explorada. O leitor não tem noção de quais são o alcance e as limitações dessa magia, o que tirou um pouco a emoção e o impacto das cenas em que ela foi utilizada. Ademais, o progresso de Tayara com o uso da magia quase não é mostrado, além de ela sempre poder consultar Agatha, a bruxa que foi na encarnação anterior, quando precisa de um feitiço para resolver o problema que está enfrentando.

Além da maneira como a autora retratou os elfos, não vi muita inovação em outros aspectos do livro. Temos a batalha entre o bem e o mal (que teria rendido uma discussão interessante se tivesse sido melhor explorada), a transição entre o nosso mundo e um mundo mágico (que não é necessariamente um problema, mas Tayara e sua mãe se acostumam muito rapidamente com a mudança) e, é claro, o famoso triângulo amoroso. Esses elementos não teriam ganhado um ar de “mais do mesmo”, porém, se tivessem sido trabalhados de maneira mais aprofundada.

O final encerra o livro deixando algumas pontas soltas para o segundo volume, e apesar de a primeira parte dos conflitos do livro ter sido resolvida, o livro não teve propriamente começo, meio e fim, sendo uma parte de um todo, como é comum em trilogias. Os deslizes na revisão foram poucos, e apesar de todos os problemas que apontei, a história em si me agradou e fiquei curiosa para a leitura do próximo volume.

Avaliação:

Trama: 3
Narrativa: 2
Personagens: 1
Caracterização: 2
Coerência: 3
Criatividade: 3
Revisão: 4


Tatiane Durães é escritora parceira do blog, saibam mais sobre ela e seus livros aqui.

Um comentário :

  1. Oi Lais, que pena que a história não funcionou para você, cada leitor a sente de uma forma diferente. Mas obrigada pela resenha, pelas críticas. bjs

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