29 de junho de 2015

[Resenha] O Código Élfico

Título: O Código Élfico
Autor: Leonel Caldela
Ano de publicação: 2013
Editora: Fantasy
Número de páginas: 576
Sinopse: A pequena cidade de Santo Ossário esconde muitos segredos. Entre os habitantes, Nicole, uma jovem corajosa, descobre estar ligada aos mistérios da cidade, o que a leva a uma investigação sobre o próprio passado. Seu pai foi um famoso assassino que pertencia à ordem de seguidores de uma deusa oculta, sacrificando inocentes em rituais.
Em Arcádia, um mundo paralelo governado pela deusa, vivem os elfos. Criaturas perfeitas que há milênios sonham em recuperar o poder sobre os humanos.Finalmente veem a esperança no novo guerreiro Astarte, treinado em arquearia, que deve abrir o portal que liga os dois mundos e exercer o domínio da Rainha sobre a Terra. Astarte, no entanto, é o único que desconhece o seu destino, até o momento de cumprir com a sua sina. Avesso aos interesses do seu povo, o elfo resolve juntar-se aos mortais em Santo Ossário.Agora, Nicole e Astarte estão ligados a um mesmo propósito: reunir os habitantes da pacata cidade e derrotar os seres místicos que ameaçam dominar o mundo.

Nicole Manzini se vê obrigada a retornar a Santo Ossário, a cidade onde nasceu e da qual guarda más lembranças, após todos os seus planos para fugir dela darem errado. Ao mesmo tempo em que tenta se restabelecer, procura, com a ajuda de Felix Kowalski, desvendar o mistério que cerca as atitudes de seu pai, atualmente preso em um manicômio. Enquanto isso, em Arcádia, Astarte acaba de completar seu treinamento em arquearia élfica, e agora deseja conhecer sua mãe, também rainha dos elfos, mas descobre que ela não era quem esperava, e que todo o seu treinamento nas artes élficas eram apenas etapas nos planos dela de invadir a Terra e escravizar os humanos.

Com essa premissa, a trama demora um pouco a engrenar, mas a partir de determinado momento a narrativa fisga o leitor, nos inserindo em um mundo muito interessante, apesar de seus defeitos.

Um dos grandes pontos positivos do livro é a maneira como os elfos são representados. Ao contrário do que acontece em outros livros, que normalmente representam os elfos como seres superiores moralmente, neste eles se degeneraram, tornando-se criaturas fúteis e que além disso são capazes de tudo para atingir seus objetivos: escravizar a humanidade. Apesar disso, porém, achei que a questão dos elfos poderia ter sido melhor explorada, e suas motivações mais bem embasadas. Senti falta de um personagem elfo importante, além de Astarte, para mostrar melhor como funcionava a sociedade dos elfos.

Outro ponto da história que merecia mais atenção eram os personagens. Embora tenham personalidades e sejam interessantes, precisavam ter suas crenças e motivações melhor trabalhadas, especialmente no caso de Astarte, que tinha o potencial de render uma boa discussão à história, estando em um mundo desconhecido e após descobrir que tudo aquilo em que acreditava era uma mentira. A aversão de Nicole a armas também foi algo que me incomodou, pois isto é mencionado várias vezes no livro e a explicação dada pelo autor não parecia justificar uma aversão tão forte. Afora isso, entretanto, ela é uma boa protagonista, embora Felix tenha sido o único personagem realmente memorável.

“– Se você entender chocolate, entenderá a humanidade – proferiu a garota. – É gordo, cercado de propaganda, doce demais. Faz mal e domina tudo que toca. Mas qualquer um que não goste de chocolate é indigno de confiança.”

Os vilões, Salomão Manzini (pai de Nicole) e Emanuel Montague também são interessantes, e gostei da maneira como seu fanatismo pela Rainha da Beleza, a rainha dos elfos, foi representado, assim como o contraste traçado entre os dois: Salomão irracional e impulsivo, Emanuel disciplinado e dedicado, ainda que ambos não deixem de ser fanáticos.

A magia que nos é apresentada é interessante, mas sinto que faltou um bocado de explicação para torná-la lógica dentro do universo do livro. Além disso, há diversos momentos em que é usada como uma resolução fácil para alguns dos problemas. O autor também insere lendas urbanas na história, mostrando uma forte relação entre elas e Nicole, mas em nenhum momento essa relação é explicada de maneira satisfatória, e esse detalhe, apesar de interessante, não parece fazer sentido dentro do universo criado pelo autor.

Outra coisa que ao meu ver comprometeu a verossimilhança foi a ambientação. Santo Ossário é uma cidade pacata de interior, que atrai muitos turistas e famosos devido ao seu ar excêntrico e inusitado. Porém, a cidade é inusitada demais, quase isolada do resto do mundo, e acabou não convencendo como um cenário que poderia realmente existir.

Em terceira pessoa, a história é contada sob o ponto de vista do narrador, em vez de se ater a um único personagem por capítulo. Apesar de esse não ser meu estilo favorito, serviu bem à história, e não é uma narrativa ruim, pois ao contrário do que se vê em outros livros de novos escritores, todos os acontecimentos nos são mostrados, e não apenas contados, o que é muito importante para a imersão do leitor.

Não encontrei erros de revisão, e o desfecho, apesar de um tanto apressado (e, em alguns pontos, como já citado, um pouco fácil), foi interessante, fugindo um pouco do que eu esperava.

Avaliação:

Trama: 3
Narrativa: 4
Personagens: 3
Caracterização: 2
Coerência: 4
Criatividade: 4
Revisão: 5


Outros livros do autor:
  • O Caçador de Apóstolos (As Profecias de Urag #1)
  • Deus Máquina (As Profecias de Urag #2)
  • O Inimigo do Mundo (Trilogia Tormenta #1)
  • O Crânio e o Corvo (Trilogia Tormenta #2)
  • O Terceiro Deus (Trilogia Tormenta #3)
  • A Lenda de Ruff Ghanor (O Garoto-Cabra #1)

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