25 de maio de 2015

[Resenha] O Temor do Sábio

Título: O Temor do Sábio (A Crônica do Matador do Rei: Segundo Dia)
Autor: Patrick Rothfuss
Ano de publicação: 2011
Editora: Arqueiro
Número de páginas: 960
Sinopse: Quando é aconselhado a abandonar seus estudos na Universidade por um período, por causa de sua rivalidade com um membro da nobreza local, Kvothe é obrigado a tentar a vida em outras paragens.
Em busca de um patrocinador para sua música, viaja mais de mil quilômetros até Vintas. Lá, é rapidamente envolvido na política da corte. Enquanto tenta cair nas graças de um nobre poderoso, Kvothe usa sua habilidade de arcanista para impedir que ele seja envenenado e lidera um grupo de mercenários pela floresta, a fim de combater um bando de ladrões perigosos.Ao longo do caminho, tem um encontro fantástico com Feluriana, uma criatura encantada à qual nenhum homem jamais pôde resistir ou sobreviver – até agora. Kvothe também conhece um guerreiro ademriano que o leva a sua terra, um lugar de costumes muito diferentes, onde vai aprender a lutar como poucos.Enquanto persiste em sua busca de respostas sobre o Chandriano, o grupo de criaturas demoníacas responsável pela morte de seus pais, Kvothe percebe como a vida pode ser difícil quando um homem se torna uma lenda de seu próprio tempo.

No segundo dia da Crônica do Matador do Rei, Kvothe dá continuidade à sua própria história. O leitor o acompanha na Universidade, onde ele se decepciona com suas aulas com o Nomeador-Mor, o misterioso Elodin, para depois se afastar devido à rixa com Ambrose (aquele personagem que todos amamos odiar). E, justamente quando Kvothe estava se perguntando o que faria para ganhar a vida sem frequentar a Universidade, surge uma excelente oportunidade para que ele consiga um mecenas. Assim, viaja até Vintas, onde se ocupa em impressionar o maer Alveron, um nobre muito rico e poderoso que só por um acaso não é o rei de Vintas.

Neste livro Rothfuss nos apresenta um começo não muito diferente do livro anterior, com Kvothe na Universidade tentando impressionar seus professores e não ser expulso, além de sua pesquisa sobre o Chandriano. Entretanto, em nenhum momento o livro se torna enfadonho, e quando Kvothe finalmente deixa a universidade para encontrar Alveron, a história se torna ainda mais interessante.

Aprendemos sobre a cultura de Vintas enquanto Kvothe tenta cair nas graças do maer e somos apresentados a novos porém enigmáticos personagens, como Bredon e Meluan Lackless. Denna como sempre desaparece e reaparece de maneira misteriosa, mas estranhamente sempre acaba reencontrando Kvothe.

Quando este é enviado para caçar bandidos para o maer, temos o encontro com Feluriana, em que somos apresentados a essa fantástica criatura e também ao mundo dos Encantados, e por fim Kvothe chega ao Ademre, onde aprende um pouco sobre uma cultura tão peculiar. A criatividade de Rothfuss ao idealizá-la foi impressionante, mais impressionante até do que o mundo dos Encantados. A maneira dos ademrianos de utilizar (ou não utilizar) as palavras, além de seus gestos, em que a mínima alteração faz a menor diferença, é o que mais se destaca e é muito interessante. Além disso temos os famosos mercenários e quase toda uma cultura girando em torno da Ketan e da Lethani, alguns dos segredos do Ademre sobre o qual Kvothe aprende.

A narrativa de Rothfuss, como sempre, é excelente. Poética em alguns trechos, prende o leitor do início ao fim, e não só isso. Você não se sente lendo um livro, mas sim vivendo uma história. Passamos pelas descrições de ambiente sem nem percebê-las; a imagem é simplesmente construída em sua mente. Além disso, A Crônica do Matador do Rei é um excelente exemplo de um livro em que a primeira pessoa foi usada de modo adequado, e há momentos em que realmente sentimos que Kvothe está nos contando uma história.

Não temos, entretanto, muitos detalhes sobre os demais personagens, mas nem por isso eles deixam de ser interessantes. Aliás, em alguns casos, isso só os faz ainda mais interessantes. Temos a misteriosa Auri, o enigmático Elodin e, claro, Bast e o Cronista, que aparecem nos interlúdios e também têm seus segredos. A já citada Denna causa muita suspeita, e temos, é claro, os amigos de Kvothe na Universidade, que sempre tornam as cenas mais engraçadas.

A Crônica do Matador do Rei não apresenta uma trama premeditada, com um vilão e o escolhido. Em vez disso, Kvothe faz sua própria história, metendo a si mesmo em encrencas em sua busca pelo Chandriano. Como ele mesmo diz, é um mito que faz a si mesmo, uma lenda de seu próprio tempo. Mas nem por isso deixo de ansiar pelo terceiro volume. Todos os capítulos são recheados de pistas ocultas, e os pequenos spoilers dados nos interlúdios, em que Kvothe dá uma pausa em sua história para cuidar da hospedaria, apenas nos deixam ansiosos pelo desfecho dessa magnífica história.

Avaliação

Trama: 5
Narrativa: 5
Personagens: 4
Caracterização: 5
Coerência: 5
Criatividade: 5
Revisão: 5



Outros livros de Patrick Rothfuss:
  • O Nome do Vento
  • O Temor do Sábio
  • A Música do Silêncio
  • The Doors of Stone (sem previsão de publicação)

2 comentários :

  1. Eu gostei mais desse 2º livro do que o anterior, achei que o worldbuilding foi muito melhor explorado e o Rothfuss deixou várias (MUITAS) pontas soltas para o próximo. Agora é só ficar na espera interminável pelo terceiro!!!

    http://desbravandolivros.blogspot.com.br/2014/02/resenha-o-temor-do-sabio-patrick.html

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  2. Eu tenho uma curiosidade imensa para começar essa trilogia, ou série?. Confesso que o tamanho me assusta um pouco, mas as resenhas são sempre tão boas que consegui o primeiro e quero pelo menos começar a leitura. Espero entrar para o time de amantes do Rothfuss. kkkkk

    Bjs, @dnisin
    www.seja-cult.com

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