23 de março de 2015

[Resenha] A Coroa da Meia-Noite

Título: Coroa da Meia-Noite (Trono de Vidro #2)
Autor: Sarah J Maas
Ano de publicação: 2014
Editora: Galera Record
Número de páginas: 406
Sinopse: Celaena Sardothien, a melhor assassina de Adarlan, tornou-se a assassina real depois de vencer a competição do rei e se livrar da escravidão das Minas de Sal de Endovier. Mas sua lealdade nunca esteve com a coroa. Tudo o que deseja é ser livre — e fazer justiça. Nos arredores do castelo, surgem rumores a respeito de uma conspiração contra misteriosos planos do rei, mas antes de cuidar dos traidores, Celaena quer descobrir exatamente que planos são esses. O que ela não imaginava é que acabaria em meio a uma perigosa trama de segredos e traições tecida ao redor da coroa. Enquanto a amizade entre ela e o capitão Westfall cresce cada vez mais, o príncipe Dorian se afasta, imerso em seus próprios dilemas e descobertas. A princesa Nehemia acaba se tornando uma conselheira e confidente, mas sua atenção está mais voltada para outros assuntos. Em Adarlan, um segredo parece se esconder por trás de cada porta trancada, e Celaena está determinada a desvendar todos eles para proteger aqueles que aprendeu a amar. Mas o tempo é curto, e as ameaças ao redor castelo de vidro estão cada vez mais próximas. Quando menos se espera, uma trágica noite mudará a vida de todos no reino, e mais do que nunca Celaena quer descobrir a verdade para fazer justiça.

ATENÇÃO: esta resenha pode conter SPOILERS do volume anterior de Trono de Vidro.

A mando de Elena, a primeira rainha de Adarlan, Celaena Sardothien venceu o campeonato e tornou-se a campeã do rei. Agora deve matar em nome dele, e as vítimas parecem ligadas a uma conspiração contra o rei. Celaena, porém, quer descobrir mais sobre essa conspiração, e começa a forjar as mortes de suas vítimas, especialmente depois de o rei ordenar que ela mate Archer Finn, um conhecido seu que pode ter respostas sobre esses rebeldes. Enquanto isso, deve continuar seu trabalho para Elena e desvendar o estranho poder que o rei tem sob sua posse — um poder grande o suficiente para que todo o continente sucumbisse a ele.

O livro segue desvendando esses assuntos aos poucos, mesclando a ação e o mistério com algumas cenas de romance — o triângulo amoroso tem prosseguimento, ainda que Celaena tenha feito sua escolha no volume anterior. Temos duas grandes reviravoltas, uma no meio do livro e uma ao final e, embora não tenham sido assim tão surpreendentes, serviram para tornar o livro ainda melhor e fazê-lo sair da mesmice.

Segredos do passado de Celaena — algumas coisas relacionadas à sua captura —, são revelados, ainda que muito tenha permanecido sob a obscuridade; algumas coisas a própria assassina parece não compreender. Entretanto, senti que as conspirações contra o rei foram tratadas de maneira um pouco superficial, e notei uma inconsistência em uma revelação que foi feita no final.

Porém, o livro está cheio de cenas de ação e mistério, e a história flui de um acontecimento a outro sem enrolação, exceto por uma ou outra cena romântica. A narrativa é envolvente, deixando as cenas de ação satisfatórias, capazes de passar ao leitor tudo aquilo que a protagonista está sentindo — especialmente medo; algumas das cenas são deliciosamente assustadoras.

Celaena como personagem foi bem explorada. Vemos que está preocupada em vencer o rei e muitas vezes se pergunta se os rebeldes realmente têm chance, além de desejar proteger seus novos amigos — Chaol, Dorian e Nehemia. Por outro lado, tem muito a perder — sabe que o rei a matará se descobrir sua traição, e além disso deseja sua liberdade —, por isso muitas vezes reluta em dar apoio a Nehemia pela libertação de Eylwee, e ainda que tenha evitado alguns assassinatos, não hesita em matar quando acha necessário. Algumas revelações sobre seu passado a deixaram mais crível e mais interessante, e em diversos momentos ela demonstra ser, realmente, uma assassina.

Chaol e Dorian também ganharam um pouco mais de importância, quando no primeiro volume pareciam servir apenas para sustentar o arco de Celaena. Temos também Roland, primo de Dorian que está visitando Forte da Fenda, que apesar de não ter aparecido tanto quanto eu esperava nesse livro, parece que se tornará um grande problema nos próximos. Quanto ao rei, entretanto, senti que ele merecia aparecer mais. Sei que a autora queria manter o mistério em relação aos seus planos e aos poderes que usa, mas ainda assim senti falta de um pouco mais de detalhamento do principal vilão da trama.

A autora também revela um pouco mais sobre a história de Erilea e sobre a misteriosa magia, desaparecida há dez anos e sobre a qual poucos sabem. O leitor logo percebe que esses pontos estão ligados à trama principal, e sua importância para a história é esclarecida ao final do livro. Ainda assim, em relação ao mundo criado por Maas, senti falta de um pouco mais de detalhamento, em especial na construção dos cenários, vagamente descritos.

Todos esses segredos e pistas, tanto relacionados ao passado de Celaena quanto à história de Erilea, vão sendo jogados ao longo do livro, mentiras são descobertas, e tudo culmina em uma grande revelação no final, que como já dito, também traz uma reviravolta — um grande problema causado por Chaol. Isso encerra os assuntos tratados no segundo volume, porém deixando muitas coisas para serem resolvidas no próximo.

Em resumo, A Coroa da Meia-Noite foi uma leitura ainda mais agradável que seu volume anterior, O Trono de Vidro. A mitologia apresentada é muito interessante, assim como o mundo em que se passa, apesar de este ser pouco explorado. O livro tem alguns clichês, como o triângulo amoroso e a relação entre Dorian e o rei, mas isso tudo é compensado pelas cenas de ação, a narrativa fluída e as revelações.

Avaliação

Trama: 3
Narrativa: 4
Personagens: 3
Caracterização: 2
Coerência: 3
Criatividade: 3
Revisão: 5


Os livros da série Trono de Vidro:

  1. Trono de Vidro
  2. Coroa da Meia-Noite
  3. Heir of Fire

Confira aqui mais informações sobre essa série.

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