16 de dezembro de 2014

[Resenha] Kassan

Título: Devoy #1 – Kassan
Autor: Paula Vendramini
Ano de publicação: 2012
Editora: Modo Editora
Número de páginas: 180
Sinopse: Existe um mundo em que sua população desconhece a existência dos nominados Ocultos. Celebriant Devoy tinha tudo para ser uma grande Oculta, só havia um pequeno problema: ela não queria ser. Mesmo nascida em uma família privilegiada com um poder raro e destrutivo, Celebriant não aparenta estar apta a representar o papel de primogênita Devoy. Quando seu pai a chama para informá-la de uma novidade nada atraente, Celebriant sente-se completamente injustiçada. Suas desconfianças e seu poder secundário a atacam com imagens perturbadoras e ela se sente perdida. Com um noivado indesejado e seu poder lhe dizendo que esse caminho não é o certo, será que Celebriant vai seguir o seu destino docilmente?

Celebriant Devoy vive em um mundo em que as pessoas possuem poderes como velocidade (Speede), cura (Curare) e controle de mente (Imperi). As pessoas recebem funções na sociedade (desde criadagem até os postos mais altos) com base nos poderes que possuem. Os Devoy possuem o poder Kassan (o poder da destruição, muito usado para torturar e matar), muito útil ao Imperador (um homem poderoso que controla os Ocultos, um exército que tem como objetivo deter os Rebeldes), e por isso ocupam uma posição privilegiada na sociedade.

Celebriant, porém, nunca foi muito estimada em sua família. Apesar de possuir o poder Kassan, tem como principal poder o Intueri (intuição), uma habilidade muito mal vista na sociedade por ser o principal poder dos Rebeldes. Tudo muda, entretanto, quando em uma briga com sua prima Celebriant acaba por manifestar seu poder Kassan. Muito satisfeitos, seus pais arranjam um noivado com o filho mais jovem da família mais prestigiada pelo Imperador, Nicholas Moringan, e um lugar garantido no famoso exército dos Ocultos. Mas Celebriant odeia Nicholas, e toda vez que utiliza seu Kassan para torturar e matar a mando do Imperador, seu poder Intueri a faz ver o quão errado é aquilo que está fazendo, por isso a todo momento a protagonista se confronta com dilemas.

Com essa premissa, Kassan nos traz um enredo muito interessante, cheio de possibilidades e com muito potencial. Potencial este que não é aproveitado. Paula Vendramini consegue instigar a curiosidade do leitor e levá-lo pelas páginas, até mesmo traz reviravoltas, mas tudo é narrado de maneira tão rápida e superficial que a história perde seu encanto. O leitor se entretém com a história, mas apenas isto. Não é possível se sentir transportado para as páginas, e avança-se por elas com a sensação de que algo está faltando.

A trama, como já dito, traz uma ideia muito original e percebe-se que foi bem planejada. Contudo, não há descrição de cenário, e tampouco elaboração no mundo criado pela autora. A história se limita a citar os Ocultos, o Imperador e sua função na sociedade, sem explorar essa questão mais a fundo. A divisão da sociedade de acordo com os poderes que cada um possui também era algo que merecia melhor detalhamento; tudo isso poderia ter tornado a história muito mais interessante e, ademais, teria dado motivações mais sólidas para os personagens.

Estes também são outro ponto negativo do livro. Em sua maioria não têm nem mesmo sua personalidade definida, e temos apenas diálogos ou cenas em que apenas nomes aparecem. Os mais bem trabalhados ao longo da história foram Celebriant, a protagonista, Saori, sua irmã, e Nicholas, seu noivo. Porém, mesmo estes não foram explorados devidamente. Celebriant tinha um grande potencial para ser trabalhado, com seus dois poderes conflitantes e a situação desagradável em que foi posta, mas ele não foi aproveitado.

Outro detalhe que me incomodou foi a rapidez com que as cenas se passavam. É como se a autora estivesse com pressa de terminar o livro ou tentando obedecer um limite de páginas, limitando-se, assim, a citar os acontecimentos. Não temos sensações: cheiros, visão, tato. Pouquíssimas vezes ficamos sabendo como os personagens se sentiam diante das situações. Tudo isso tornou essas cenas vagas e superficiais, que não despertam nenhuma emoção no leitor.

No final temos a grande decisão de Celebriant e uma série de acontecimentos que se passam rapidamente — mais uma vez, o que poderia ser algo frenético e cheio de tensão acaba sendo apenas uma narrativa apressada dos acontecimentos. A história termina de modo repentino, tendo respondido algumas poucas questões e deixando algumas para os próximos volumes; temos um grande gancho para o segundo volume da trilogia, com uma cena final inconclusiva para despertar a ansiedade do leitor.


Outros livros de Paula Vendramini:
  • Devoy #2 – Intueri
  • Devoy #3 – Curare

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