2 de dezembro de 2014

[Resenha] Dias de Sangue e Estrelas

Título: Dias de Sangue e Estrelas (Feita de Fumaça e Osso #2)
Autor: Laini Taylor
Ano de publicação: 2013
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 448
Sinopse: Karou, uma estudante de artes plásticas e aprendiz de um monstro, por fim encontrou as respostas que sempre buscou. Agora ela sabe quem é — e o que é. Mas, com isso, também descobriu algo que, se fosse possível, ela faria de tudo para mudar: tempos atrás Karou se apaixonou pelo inimigo, que a traiu, e por sua culpa o mundo inteiro foi punido. Na deslumbrante sequência de Feita de Fumaça e Osso, ela terá que decidir até onde está disposta a ir para vingar seu povo. Dias de Sangue e Estrelas mostra Karou e Akiva em lados opostos de uma guerra ancestral. Enquanto os quimeras, com a ajuda da garota de cabelo azul, criam um exército de monstros em uma terra distante e desértica, Akiva trava outro tipo de batalha: uma batalha por redenção... por esperança. Mas restará alguma esperança no mundo destruído pelos dois?

Os quimeras foram praticamente exterminados e seu ressurreicionista, Brimstone, morto. Os serafins estão prestes a ganhar a guerra, e enviam seus soldados para exterminar ou escravizar os poucos quimeras que restaram. Porém, não sabem que Karou sobreviveu e se uniu ao Lobo Branco, trabalhando como sua ressurreicionista e aos poucos trazendo diversos guerreiros de volta, na esperança de garantir a sobrevivência dos quimeras que restaram e por fim a paz.

A primeira metade do livro se dedica a narrar as campanhas dos quimeras, lideradas pelo Lobo Branco, e dos serafins. Um mistério se instaura ao redor das ações de ambos os lados, pois há princípio seus desejos são por um fim à guerra que perdura por anos, mas ao longo dos capítulos são apresentadas algumas evidências de que existe algo mais.

Enquanto isso, Karou está confinada em uma construção abandonada em Marrocos, usada pelos quimeras como quartel-general, trabalhando como ressurreicionista. O Lobo Branco esconde dela a verdade é a faz trabalhar para recuperar o exército quimera, e praticamente todos os demais se mantém afastados, culpando-a pela traição que levou à quase aniquilação de seu povo.

Do outro lado temos Akiva, que mais uma vez está junto de seus irmãos, Hazael e Liraz, lidando com sua missão autoimposta de salvar o maior número possível de quimeras sem levantar a suspeita de seus superiores.

E assim segue a história até a metade do livro, atendo-se a esses temas e a descrever os horrores e os problemas trazidos pela guerra. Apesar de serem importantes, em diversos momentos a história parecia não sair do lugar, dando a impressão de que a autora estava descrevendo uma rotina.

Outro problema que pareceu acarretar com o clima parado foi o estilo de escrita. É em terceira pessoa, dando à autora a liberdade de trocar de ponto de vista quando necessário, e muitas vezes rápido e fluido, mas em diversos momentos me deparei com descrições enfadonhas, o que muitas vezes me passava a impressão de que a história era interrompida para que os locais fossem descritos.

As cenas e diálogos, por sua vez, me pareceram bem construídos. Nestes, a autora soube dar detalhes suficientes para que ficassem completos e instigantes, mas sem torná-los deveras detalhistas e enfadonhos. Alguns deles, entretanto, pareceram um pouco desnecessários. Para narrar alguns acontecimentos da guerra, utilizou-se pontos de vista de personagens secundários, que serviram unicamente para este propósito; nestes momentos senti falta de um personagem com maior importância, que não fosse depois deixado de lado por não ter nenhuma serventia para a história.

Os personagens, como no primeiro livro, foram bem explorados. Têm suas próprias personalidades, valores e questionamentos, com exceção do Lobo Branco, um dos grandes vilões da história. Achei que ele merecia algo mais que ser apresentado ao leitor pelos pontos de vista de Karou ou de outros personagens secundários, algo que fizesse o leitor compreender melhor seus desejos e objetivos.

Porém, a autora exagerou um pouco nos dramas dos personagens. Tanto Akiva quanto Karou perdem-se em dilemas e arrependimentos, muitas vezes deixando de agir. Obviamente que estariam mudados depois dos acontecimentos do livro anterior, mas em alguns trechos da história isso pareceu exacerbado, como se a autora temesse não ser capaz de abordar esse aspecto apropriadamente.

Outro ponto que me incomodou foi que Madrigal e Karou não parecem ser a mesma pessoa. Como já apontei, ela passou por diversos traumas em final de sua vida como Madrigal e depois como Karou, assim é impossível que não tivesse mudado e aprendido algumas coisas, mas esperava que ao menos sua essência permanecesse a mesma, que tivesse mantido alguns traços de sua personalidade. Porém, há momentos em que elas parecem pessoas completamente diferentes.

Mas na metade do livro há grandes reviravoltas, tanto no lado dos quimeras quanto no lado dos serafins, e a história finalmente dá mostras de tomar um rumo. Ocorrem mortes e traições, Akiva e Karou finalmente tomam atitudes e depois disso as coisas começam a acontecer. O mistério proposto no começo do livro é finalmente revelado, ao menos em parte, e o livro termina deixando um gancho para o terceiro e último volume.

Em suma, o livro repetiu o mesmo erro do anterior: um início lento, com a diferença de que desta vez não havia a novidade de um novo mundo para prender o leitor. Porém, com um leve mistério e uma boa escrita a autora consegue levar o leitor ao ponto em que tudo começa a acontecer, encerrando com um final instigante e sem deixar a impressão de que o próximo volume não dará conta de tratar de tudo o que foi proposto.


Outros livros de Laini Taylor:

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