10 de dezembro de 2014

7 coisas que aprendi com o NaNoWriMo

Depois de alguns imprevistos ao longo do segundo semestre desse ano, minhas provas finais ficaram todas para dezembro, de forma que novembro se tornou um ótimo mês para um desafio literário. Com isso, resolvi participar do NaNoWriMo de 2014, imaginando que seria uma ótima chance de finalmente concluir aquele meu projeto que estava parado desde 2013, A Pedra Dourada.


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Minha ideia seria tentar autopublicá-lo, uma vez que daria um livro muito menor que qualquer outro da quadrilogia O Segredo de Todos os Mundos (esperava cerca de 70 mil palavras na melhor das hipóteses, 130 mil na pior). Porém, apesar da possibilidade de A Pedra Dourada render um livro mais longo que o esperado, estava confiante. Afinal, tinha superado o desafio do semestre passado. Mas, como vocês puderam conferir nos artigos citados acima, não cheguei a escrever sequer 10 mil palavras.

E, com isso, acabei aprendendo algumas coisas sobre meu próprio processo de escrita, confiram:

[1] É sempre bom começar o planejamento com antecedência

Eu sou o tipo de escritora que planeja. Antes de começar o livro, tenho um arquivo com todos os capítulos descritos em tópicos, uma espécie de resumo de tudo o que vai acontecer (leia sobre isso aqui).

Mas uma coisa que aprendi (ou deveria ter aprendido) durante a escrita e o planejamento dos volumes de O Segredo de Todos os Mundos é que planejar um livro é algo que traz uma série de imprevistos. Às vezes penso que finalmente consegui colocar uma ordem naquele emaranhado de acontecimentos e personagens, para depois descobrir que antes de destrinchar um determinado arco eu preciso definir alguma outra coisa.

Por exemplo, esperava concluir o planejamento de A Irmandade do Caos até o final de julho desse ano. Até agora não terminei, e ainda falta muita coisa. Mas decidi dar um jeito na minha procrastinação, e prometi que até dia 20 de dezembro terei tudo pronto. E que depois concluirei minhas pendências com A Pedra Dourada — e isso não passará de 2014.

Claro que A Pedra Dourada é o primeiro volume de uma trilogia infinitamente menos complexa que O Segredo de Todos os Mundos. Duas semanas (sem procrastinação) teriam sido suficientes para que eu concluísse seu planejamento, que deveria ter começado no início de outubro. Mas deixei para os últimos dias do mês, e acabou que perdi 7 dias de novembro concluindo-o, e ainda resolvi deixar a caracterização dos personagens para depois — o que foi a minha ruína.

Mas agora já aprendi: nunca deixar o planejamento para a última hora.

[2] Conhecer bem os personagens

Já mencionei em outro artigo que muitas vezes vou conhecendo melhor meus personagens conforme a história se desenrola. Foi assim com O Segredo de Todos os Mundos, e foi esse um dos fatores que me levou a reescrever e reescrever essa história ao longo dos anos (além do fato de minha escrita ser muito infantil na época de minha adolescência), pois eu descobria novas coisas sobre esses personagens e tinha de mudar o que já estava escrito.

Mas não queria esse transtorno com meus novos projetos (escrevo os livros da saga O Segredo de Todos os Mundos desde 2007, para vocês terem uma noção, e não espero concluí-los antes de 2016), por isso decidi adotar um novo método: criar fichas dos personagens listando suas principais características, fossem físicas ou psicológicas, e talvez escrever um parágrafo ou outro contando de sua vida, seus traumas e seus objetivos.

Mas, como já mencionado, não tive tempo de fazer isso devido a imprevistos, procrastinação e ao prazo apertado do NaNoWriMo. Achei que não teria problemas (enquanto planejava o livro já tinha uma ideia de quem seriam os principais personagens), mas me peguei reescrevendo trechos e às vezes capítulos inteiros, pois não estavam fluindo (coisa que não fiz enquanto escrevia As Joias do Caos).

Outro problema que estava tendo é que não estava conseguindo escrever a não ser no notebook, sentada em minha casa, quando no semestre passado escrevi muito sentada nas escadas na faculdade, durante um intervalo entre as aulas ou depois delas, às vezes até mesmo no ônibus, no bloco de notas do celular e usando o teclado minúsculo. Mas A Pedra Dourada não saía, eu acabava empacando com os personagens, sem saber muito bem como lidar com eles.

Então aprendi: antes de dar início a uma nova história, preciso compreender os personagens, ou a história não sai. É algo que diz mais respeito ao meu próprio processo criativo que ao dos demais, mas foi interessante compartilhar isso.

[3] Conhecer bem o universo

A trilogia planejada se passa em dois mundos: um deles é o mesmo que exploro em O Segredo de Todos os Mundos, Myhorr. O outro era um mundo criado para ser explorado nesta trilogia (ainda que talvez eu possa ter ideias para novas histórias nesse mundo), o qual ainda não foi definido, ainda que eu saiba algumas coisas básicas sobre ele.

Esse não foi um problema tão grande quanto os personagens, uma vez que esse mundo apenas seria apresentado no segundo volume, ainda que fosse ser mencionado no primeiro. Porém, se eu tivesse escolha, já teria cuidado também dessa parte. É possível que, se tivesse avançado um pouco mais na história, isso também tivesse se tornado um problema, uma vez que uma das principais personagens veio desse mundo.

De qualquer forma, como todo escritor sabe, é importante conhecer muito bem o mundo com o qual se está trabalhando.

[4] Planejar o mês

É impossível saber tudo o que irá acontecer no futuro, mas é importante saber lidar com imprevistos. Foram alguns imprevistos que me atrasaram no planejamento de A Pedra Dourada — e o fato de eu não ter lidado bem com eles. Mas sempre começamos o mês com algum compromisso já marcado, e é importante ter tudo isso em mente para poder recompensar os momentos perdidos com imprevistos. Há algumas coisas das quais não podemos escapar, mas outras podem ser remarcadas e até mesmo não feitas, a depender do que for.

Mas ser organizado e fazer um planejamento prévio certamente o ajudará a lidar com compromissos e imprevistos e até mesmo algumas horas livres inesperadas (quem nunca se deparou com elas alguma vez e, desejando fazer tantas coisas, sequer sabia por qual começar?).

[5] Organização

Neste novo projeto (e em todos os que virão no futuro) decidi testar um novo método de organização, usando as planilhas que citei no artigo em que lhes apresentei o desafio (NaNoWriMo 2014). Também decidi manter o diário de escrita, pois gostei da experiência com As Joias do Caos, e o que chamei de diário de desenvolvimento (sobre o qual falei aqui). Com exceção do diário de escrita, não mantive nenhum atualizado.

Na realidade eu sei que devo mantê-los atualizados, capítulo a capítulo e dia a dia, para que a experiência seja bem sucedida. O que tenho de aprender aqui é disciplina. Mas fica a dica para aqueles que se perdem em suas próprias histórias.

[6] Saber detectar as causas de bloqueio criativo

Raras vezes tive bloqueio criativo, para minha felicidade. Às vezes parece que não terei um bom dia de escrita, que não conseguirei passar de algumas linhas, mas acabo por superar e consigo alguma coisa decente, mesmo que acabe não produzindo tanto quanto queria. O bloqueio apenas aparecia se eu passava dias sem escrever, e então eu tinha de me esforçar um pouco para voltar ao normal, como se minha escrita atrofiasse sem o uso.

Mas com A Pedra Dourada foi algo completamente diferente, e logo soube que precisava descobrir os motivos (já citados acima) antes de seguir em frente. Ainda não retomei a escrita de A Pedra Dourada, mas espero descobrir que identificar as causas do bloqueio criativo seja o primeiro passo para vencê-lo. O que nos leva ao próximo tópico:

[7] Saber como vencer o bloqueio criativo

Uma vez identificados os problemas, comecei a procurar a solução para eles. Uma delas era delinear melhor os personagens, a outra era concluir a construção do novo mundo criado. Porém, encontrei ao acaso pela internet dois desafios interessantes que poderão me ajudar com a questão dos personagens, confiram:


E isso é tudo. Ano que vem não sei se participarei do NaNoWriMo (talvez não na edição de novembro), mas decerto que voltarei um dia a participar do desafio (e quem sabe vencê-lo, pondo em pratica aquilo que aprendi).

E quanto aos demais participantes do NaNoWriMo? Como foram? O que aprenderam? Compartilhem suas experiências!

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