4 de novembro de 2014

Resenha | O Império Final

Título: O Império Final (Mistborn: Nascidos da Bruma #1)
Autor: Brandon Sanderson
Ano de publicação: 2014
Editora: Leya
Número de páginas: 608
Compre: Submarino | Saraiva | Amazon
Sinopse (Skoob): O que acontece se o herói da profecia falhar? Certa vez, um herói apareceu para salvar o mundo. Um jovem com uma herança misteriosa, que desafiou corajosamente a escuridão que sufocava a Terra. Ele falhou. Desde então, há mil anos, o mundo é um deserto de cinzas e brumas, governado por um imperador imortal conhecido como Senhor Soberano. Todas as revoltas contra ele falharam miseravelmente. Nessa sociedade onde as pessoas são divididas em nobres e skaa – classe social inferior –, Kelsier, um ladrão bastardo, se torna a única pessoa a sobreviver e escapar da prisão brutal do Senhor Soberano, onde ele descobriu ter os poderes alomânticos de um Nascido da Bruma – uma magia misteriosa e proibida. Agora, Kelsier planeja o seu ataque mais ousado: invadir o centro do palácio para descobrir o segredo do poder do Senhor Soberano e destruí-lo. Para ter sucesso, Kell vai depender também da determinação de uma heroína improvável, uma menina de rua que precisa aprender a confiar em novos amigos e dominar seus poderes.

Depois de ler Elantris no ano passado e ter adorado, fiquei animada ao descobrir que mais um livro de Brandon Sanderson seria publicado no Brasil e, tão logo pude, investi mais de R$50 em Mistborn sem nem ler a sinopse. Apesar de isso não ser uma desculpa para uma livraria cobrar tal preço de um livro, valeu cada centavo. Assim como Elantris, é ainda melhor do que eu esperava, e decerto estará no meu top 5 de melhores livros de 2014 junto com As Mentiras de Locke Lamora.

Kelsier é o líder de uma gangue de ladrões que almeja derrubar o Senhor Soberano, que há mil anos governa o Império Final após supostamente derrotar o que se chama de Profundezas, algo que uma vez ameaçou destruir o mundo. Vin é membro de outra gangue de ladrões e tem os ensinamentos de seu desaparecido irmão fortemente gravados na mente: não deve confiar em ninguém e deve esperar a traição de todos.

O mundo de Mistborn é dividido entre os nobres e os skaa. Os nobres descendem daqueles que no passado ajudaram o Senhor Soberano e por isso ganharam uma boa posição na sociedade e foram agraciados com o dom de praticar a Alomancia, a arte de extrair poderes mágicos de metais ingeridos. A capacidade de usar a Alomancia é hereditária, por isso os nobres são proibidos de procriar com skaa (aqueles que não são nobres e devem prestar trabalhos ao Império; são praticamente escravos). Se uma relação entre um nobre e um skaa acontecer, este deve ser morto. Mas alguns deslizes aconteceram, por isso é possível encontrar mestiços, skaa Brumosos (capazes de queimar apenas um tipo de metal) e Nascidos das Brumas (capazes de queimar todos os metais). É esta a condição de Kelsier, Vin e mais alguns membros da gangue.

Esta situação existe há mil anos, e nestes mil anos, todas as rebeliões skaa contra os nobres e o Senhor Soberano falharam miseravelmente. Os skaa perderam totalmente as esperanças e se limitam a simplesmente servir aos nobres. Mas não Kelsier. Este acredita que deve haver uma maneira de derrubar o Senhor Soberano, talvez até mesmo matá-lo. Por isso reúne sua gangue, com um objetivo que pela primeira vez vai além de simplesmente roubar. Entretanto, para isso também precisará de Vin, e logo nos primeiros capítulos ambos os personagens se encontram.

A trama se desenvolve em cima disso, mas vai muito além. Os planos são muito bem construídos e executados, há segredos por trás de segredos e uma reviravolta atrás de outra. O autor soube muito bem como lidar com cada um desses elementos, equilibrando cenas de ação, os diálogos e a caracterização de seu mundo de modo natural e fluído, sem deixar trechos enfadonhos por conta da necessidade de apresentar o mundo.

E esse mundo — o chamado Império Final — foi muito bem construído. Diversas manifestações naturais — como as brumas ou as chuvas de cinzas — têm sua própria importância para a trama. Vários aspectos são comparados à época em que o Senhor Soberano ainda não dominara o mundo, como o fato de antes as plantas serem verdes e agora amarronzadas, demonstrando que tudo, ainda que não seja explicado nesse volume, tem sua relevância e sua razão de ser. O autor também apresenta diversos aspectos de culturas já mortas, em especial religiões, destacando o quanto esse mundo perdeu diversidade e atestando, por isso, a tirania do Senhor Soberano. Tudo isso criou um clima de sufoco e desesperança, fez com que muitas pessoas acreditassem que era impossível derrubar o tirano.

Outro ponto de destaque do livro é o sistema de magia imaginado por Sanderson. A Alomancia consiste na habilidade de retirar poder dos metais, sendo que cada metal dá um poder diferente, como mover-se pelo ar, exaltar ou abafar emoções, aumentar a força física ou a acuidade dos sentidos. Porém, há uma quantidade limitada de metais que podem ser queimados e, portanto, uma pouca quantidade de poderes, assim, o que um Nascido das Brumas pode fazer também está ligado à sua criatividade e habilidade. Há ainda os Brumosos, alômanticos capazes de queimar apenas um tipo de metal, enquanto os Nascidos das Brumas podem queimar todos.

Esse sistema de magia é vital dentro da trama do livro e foi muito bem utilizado em cenas de ação. Além dele há ainda a Feruquemia, que consiste na habilidade de estocar poderes dentro de diferentes tipos de metais, sendo que cada metal estoca um tipo de poder e ele deve ser extraído de seu próprio corpo e armazenado. Embora não tão explorada quanto a Alomancia, a Feruquemia também foi de suma importância, especialmente no final.

Os personagens foram muito bem construídos. O foco está em Kelsier e Vin, os protagonistas, que especialmente no caso desta apresentaram um amadurecimento notável do começo para o fim do livro. Outros personagens, porém, têm suas personalidades bem definidas e também exercem seus papéis dentro do enredo. Houve preocupação em delinear suas principais motivações, mesmo daqueles que não aparecem tanto na história, e muitas vezes é interessante observar o quanto aprendem um com o outro.

O livro começa com um ritmo mais lento, mas vai se acelerando e a partir de determinado ponto se torna impossível largar o livro. O final encerra o problema proposto no começo do livro com uma boa surpresa, mas ainda assim deixa pontas soltas — e aparentemente um problema muito pior — para o próximo volume.

Desde antes de começar a lê-lo eu esperava muito desse livro, e ele não me decepcionou em nenhum aspecto. O único ponto negativo foi a tradução, que fez confusão com a ordem dos metais alomânticos e classificou o atium como o décimo primeiro metal, quando na realidade ele é o décimo. Ainda há alguns erros de revisão, como “ascenção” em vez de “ascensão”, mas nada que prejudique a leitura.

★ ★ ★ ★ ★

Os livros de Brandon Sanderson:

Mistborn - Nascidos da Bruma:

Elantris

Executores:

Ele também escreveu os últimos três volumes da série A Roda do Tempo, de Robert Jordan, que está sendo publicada no Brasil pela editora Intrínseca.

No site do escritor você pode saber mais sobre outros livros dele (infelizmente ainda não publicados no Brasil), como também informações extras sobre Mistborn e outras sagas, mapas, fanarts e também um conto que se passa no mundo de Elantris: The Hope of Elantris. Para os escritores, acho interessante conferir nesta página a seção deleted scenes, onde o autor colocou cenas que foram deletadas das versões finais de seus livros e comentou sua decisão de cortá-las ou modificá-las, muitas vezes comparando uma à outra. Obviamente, está tudo em inglês.

Atualizado em 21/02/2017.


Assine a newsletter!
Receba em seu e-mail, mensalmente, novidades para escritores, leitores e blogueiros, conteúdo exclusivo e os últimos posts do SI&F.

ou siga as atualizações do blog nas redes sociais:
Facebook | Twitter | Google + | Instagram | Pinterest

2 comentários :

  1. Este livro eu li na leitura conjunta organizada num grupo do facebook, e acabou sendo uma grande decepção. Não que o livro seja horrível, mas pelo que falavam, eu esperava muito mais.
    A história é criativa, gostei do enredo, mas a escrita foi o principal motivo da minha decepção, é muito infantil e desnecessariamente alongada. Praticamente o livro é feito de diálogos, e o narrador quando aparece é para descrever gestos, expressões faciais ou a localidade em que se passa a cena; para dizer a verdade, achei a escrita do livro muito mais adequada a roteiro de cinema/tv que a um romance. E os personagens são bem diferentes um do outro, Kelsier é o atrevido, Vin a insegura, Brisa o espertalhão, as personalidades eram tão bem definidas que nem precisava dos quilos de páginas de diálogos (considerando que os diálogos seriam usados para definir os personagens).
    Ano que vem lerei Elantris para tirar a prova, já que o autor é um dos expoentes da fantasia contemporânea, mas, por Mistborn, ele passa longe dos meus autores prediletos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É uma pena que não tenha gostado. Li Elantris ano passado e gostei bastante. Não sei se o agradará tanto, mas eu geralmente recomendo fortemente sua leitura, as páginas para mim passaram voando. Se quiser ter uma ideia melhor do livro, também o resenhei.

      Também li Mistborn em uma leitura conjunta no Facebook, acho que participamos da mesma!
      Abraços e obrigada pela visita!

      Excluir

Sinta-se à vontade para deixar opiniões, dúvidas e sugestões. Se tiver um blog, deixe o link ao final de seu comentário para que eu possa visitá-lo.

Ao comentar, tenha bom senso (ou leia isto), de modo a evitar que seu comentário não seja publicado.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...