11 de novembro de 2014

[Resenha] Fahrenheit 451

Título: Fahrenheit 451
Autor: Ray Bradbury
Ano de publicação: 1953
Editora: Globo
Número de páginas: 216
Sinopse: A obra de Bradbury descreve um governo totalitário, num futuro incerto mas próximo, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instaladas em suas casas ou em praças ao ar livre. O livro conta a história de Guy Montag, que no início tem prazer com sua profissão de bombeiro, cuja função nessa sociedade imune a incêndios é queimar livros e tudo que diga respeito à leitura. Quando Montag conhece Clarisse McClellan, uma menina de dezesseis anos que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo, ele percebe o quanto tem sido infeliz no seu relacionamento com a esposa, Mildred. Ele passa a se sentir incomodado com sua profissão e descontente com a autoridade e com os cidadãos. A partir daí, o protagonista tenta mudar a sociedade e encontrar sua felicidade.

Fahrenheit 451 nos apresenta um mundo futurista onde os livros são proibidos, e os bombeiros, cuja função original se tornou inútil agora que as construções são resistentes ao fogo, têm como sua principal missão queimá-los. Guy Montag, o protagonista desta história, é um bombeiro que até então cumprira suas obrigações sem questionar.

Isso muda quando ele conhece Clarisse, uma garota totalmente diferente de quaisquer outras pessoas que ele já tenha conhecido. É uma pessoa bastante peculiar, que gosta de passear sob a chuva e questionar o porquê das coisas. A partir daí, Montag parece alimentar seus próprios questionamentos, percebendo que sua vida não era tão feliz quanto a sociedade tentava garantir que fosse, fornecendo-lhe as televisões com telas que cobrem paredes inteiras e afastando-o dos livros, que poderiam lhe trazer inquietações que afastariam sua felicidade.

E, obviamente, Montag se sente curioso quanto aos livros. Afinal, por que eram proibidos? Poucos dias após conhecer Clarisse (que desapareceu misteriosamente), mais uma denúncia é feita, e Montag tem trabalho a fazer: queimar os incontáveis livros de uma senhora que se recusa a sair de sua casa e que prefere queimar junto a seus livros. Nesta noite, Montag rouba um livro, e começa a despertar a desconfiança de seu chefe, o capitão Beatty.

Dividido em três partes, o livro não possui capítulos, mas traz uma trama simples que conduz o leitor rapidamente ao desfecho.  O estilo de escrita é rápido e fluído, prendendo o leitor pelas páginas; é um livro que pode ser lido em um dia. O autor pula de um acontecimento a outro sem intercalá-los com trechos irrelevantes, passando diretamente para aquilo que importa. A maneira como descreve lugares e pessoas é bastante interessante, não detalhando sua aparência, mas a impressão que causa a Montag. Apesar de ser narrado em terceira pessoa, o livro se passa inteiramente sob seu ponto de vista.

O autor em nenhum momento esmiúça a estrutura dessa sociedade que criou, e dentro deste livro foi um recurso interessante. As informações não ditas passam ao leitor uma mensagem, que consiste no tema principal do livro. O tipo de governo, a guerra que está acontecendo, os eventos que levaram o mundo a esse estágio; nada disso é explicado, pois as pessoas não se importam em saber. As pessoas são incentivadas a se entreter, a serem felizes, e para isso têm à sua disposição grandes televisões que exibem programas insossos e até mesmo sem sentido. Perguntas e questionamentos são desencorajados.

O final tampouco traz maiores explicações para essas questões, embora o livro não possua a pretensão de respondê-las. Mas conclui a história de forma satisfatória; nota-se a transformação sofrida pelo protagonista, assim como o início de uma possível resolução para o conflito — a proibição dos livros e o mal que isso causou à sociedade.



2 comentários :

  1. Adorei a resenha, flor! Este é um livro que ainda não li, mas está na minha lista há muito tempo. Acho que qualquer pessoa que aprecie distopias não pode ignorá-lo. É um clássico!
    É assustador pensar como será o nosso futuro… Por um lado, penso que se houver um controle tão rigoroso como este apresentado no livro teremos possibilidades de melhorar a qualidade de vida e sobreviver às catástrofes naturais que provavelmente acontecerão. Mas por outro lado, penso em tudo o que nos define e provavelmente perderemos. Nossa cultura, nossa criatividade, nossa liberdade…

    Adorei a sua crítica.
    Beijos, flor!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

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    Respostas
    1. Não é um mundo em que eu gostaria de viver. Mesmo que esse controle melhorasse nossa qualidade de vida, de fato perderíamos muito em personalidade e liberdade. E não podemos esquecer que, apesar de se preocuparem com a felicidade do povo, apenas fazem isso para desviar sua atenção.
      Foi o primeiro livro de ficção científica voltado para o público adulto que li, e foi um bom começo; se tem interesse no gênero, recomendo!

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