25 de outubro de 2014

NaNoWriMo 2014

NaNoWriMo (National Novel Writing Month) é um evento anual que ocorre durante todo o mês de novembro (durante o dia 1º até o dia 30), e tem por objetivo reunir escritores de todo o mundo para escrever um romance de 50 mil palavras em um mês.



Regras

As regras são poucas: o livro deve ser um romance (uma narrativa de ficção longa), deve ter no mínimo 50 mil palavras e deve ser escrito inteiramente no mês de novembro, ou seja, materiais escritos anteriormente não podem ser aproveitados. E você deve escrever sozinho, coautoria não é permitida. Mas não há restrição de nacionalidade e idioma; pessoas de qualquer lugar do mundo podem participar.

Isso não significa, porém, que você não pode fazer um planejamento prévio; para escritores que têm o costume de planejar antes de dar início a seus projetos (como eu), é até mesmo recomendado que isso seja feito antes do início de novembro.

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Objetivos

O objetivo não é competir com outros escritores, mas consigo mesmo. É um desafio para vencer a procrastinação, para incentivar o escritor a finalmente colocar aquela ótima ideia no papel. Os prêmios não são muitos; a maior gratificação, certamente, é ter o primeiro rascunho de seu romance no papel.

Tampouco é finalizar uma história em um mês. Você terminará novembro com a primeira versão de seu romance, que precisará de revisão e terá mais uma, ou duas, ou mais versões além da primeira. Provavelmente trechos inteiros precisem ser reescritos, ou até descartados. Mas o importante é que todas as ideias já estão no papel, e que o primeiro passo para a conclusão de seu livro já foi dado.

Dicas

Apesar de já ter uma ideia de como encarar esse desafio, procurei algumas dicas pela internet e reuni aqui aquelas que me pareceram mais pertinentes.

Tenha um diário de escrita: assim você terá seu progresso registrado, e de acordo com T. K. Pereira, do site Escriba Encapuzado, servirá como um instrumento de motivação. Escreva sobre como foi seu processo de escrita no dia: se as palavras fluíram, se conseguiu alcançar sua meta, se gostou do que escreveu, quanto tempo conseguiu dedicar… Fiz essa experiência com As Joias do Caos, escrito no primeiro semestre de 2014, e gostei bastante. Irei repetir com esse novo projeto e com todos os demais que desenvolver daqui para a frente.

Evite distrações: Facebook, Twitter, Gmail, celular, tablet… Vencer as distrações é impossível e um dia você certamente falhará. Mas esforce-se para não falhar todos os dias. Às vezes eu sequer preciso disso para me distrair. Tem vezes em que meu gato passa por onde estou e eu de repente decido que ele é muito fofo e precisa de um abraço demorado. Em outras, empolgo-me com uma ideia e levanto da cadeira, fico vagando pela casa e abraçando todos os meus gatos enquanto penso no assunto (eles devem detestar meus momentos de inspiração). Há momentos em que, com todos os sites bloqueados e os gatos fora de vista, eu ainda assim me distraio: fico encarando a tela do Word e imaginando todas as cenas e diálogos que virão a seguir (mas não escrevo nenhum deles, é claro). Mas aprendi muitas coisas enquanto escrevia As Joias do Caos, e uma delas é que, na maioria das vezes, consigo ignorar essas distrações e escrever.

Tenha sua história planejada: Alguns escritores têm uma ideia e começam a escrever sem planejamento; simplesmente deixam a história acontecer. Outros preferem planejar. Para estes, é interessante que toda a sua história esteja planejada até pelo menos o dia 31 de outubro; novembro será dedicado inteiramente à transpiração daquelas ideias que aos poucos tomaram forma em sua mente.

Faça uma planilha: Esta é outra dica do Escriba Encapuzado. Há dias em que você alcançará sua meta. Há dias em que você a ultrapassará. Mas há dias em que não será capaz de alcançá-las. Para um evento como o NaNoWriMo, é interessante anotar, dia a dia, o quanto de palavras foram escritas e ir ajustando sua meta conforme seu avanço. Se você passou alguns dias escrevendo abaixo da meta, decerto que sua meta para os próximos dias será maior, se quiser vencer o desafio. É interessante ter tudo bem calculado para não ter de lidar com imprevistos no final.

Não se estresse com a contagem de palavras: Não interrompa o que está fazendo a todo momento para contar quantas palavras já escreveu, quantas faltam e quanto você precisará escrever no dia seguinte. Se você interromper seu processo de escrita toda hora, não vai produzir muito. Então escolha um período que seja melhor para você (manhã, tarde, noite), sente-se em um local de sua preferência e deixe as ideias fluírem. Depois de acreditar que fez o suficiente, aí sim conte as palavras.

Tenha sempre um bloco de anotações consigo: As ideias podem vir a qualquer hora e lugar, e convém anotá-las, pois logo elas desaparecerão para nunca mais voltar. Pode ser um tablet, um celular, um carderno ou mesmo um pedaço de papel que conseguir encontrar. Além disso, poderá aproveitar os momentos livres (salas de espera, transporte, intervalo) para adiantar algumas palavras.

Por hora, não se preocupe com a revisão: Você não terminará seu livro se a todo momento se preocupar com as cenas que não ficaram tão boas. A ideia não é terminar com um livro perfeito, mas com um rascunho que poderá, mais tarde, ser aprimorado.

Reserve um tempo para a escrita: 1667 palavras é bastante coisa, desse modo, seja realista; provavelmente não alcançará sua meta em apenas meia hora. Além disso, reservando um tempo por dia, é provável que consiga adquirir a disciplina.

Antes de dar início à sua jornada diária de escrita, tenha consigo tudo de que vai precisar: Procure evitar ao máximo as interrupções. Tenha a seu alcance água, algumas guloseimas e o que mais acredita que precisará durante sua jornada. Eu, por exemplo, na maioria das vezes preciso me dedicar por cerca de meia hora antes de a coisa engrenar e as ideias continuarem a fluir; uma interrupção significaria ter de recomeçar do zero (a menos que eu esteja em um bom dia e as ideias anseiem ir para o papel). Assim, não convém para mim parar toda hora para atender ao telefone, beber água ou ir ao banheiro.

Confira também algumas de minhas dicas, que me ajudaram anteriormente e podem vir a ajudar outros escritores:

Tenha um diário de desenvolvimento: Foi algo de que senti falta enquanto revisava As Joias do Caos, e que passarei a adotar a partir de agora. Consiste em fazer um diário de cada capítulo, escrevendo um resumo dos principais acontecimentos. Caso, durante a escrita ou revisão, você precise relembrar algum acontecimento de sua história, basta consultar esse diário, em vez de procurar loucamente pelo livro inteiro, sem se recordar exatamente em qual capítulo estava.

Escreva mesmo sem inspiração, todos os dias: Como já dito, tem dias em que as ideias anseiam por ser passadas para o papel. Eu sento e escrevo, escrevo, escrevo. Porém, infelizmente, isso não é o que acontece na maior parte do tempo. Em geral, eu preciso me forçar a começar. Digito uma frase que não me parece tão boa. Avanço pelos acontecimentos, pensando: essa frase não ficou boa; não consegui expressar bem os sentimentos de Fulano, terei de revisar essa parte; esse diálogo não ficou bom, preciso descrever melhor o local. Então, passada cerca de meia hora, as ideias começam a tomar forma em minha mente e a escrita começa a fluir. Deixo de lado o que está me incomodando e me contento em contar a história. Pode ser que seu processo seja diferente, mas é uma boa ideia para tentar em dias de pouca inspiração.

Não se preocupe com a linearidade: Você está no capítulo 2, mas sua mente o presenteia com um diálogo interessantíssimo que terá lugar no capítulo 57. Se isso acontecer, aproveite a inspiração e escreva o capítulo 57. Depois poderá voltar ao capítulo 2. Será ainda melhor se você for do tipo que planeja antes de escrever.

Pare um pouco para ler um livro: Não sei se acontece com todos, mas para mim, ler inspira. As histórias me fazem pensar em meus próprios enredos; folhear um livro e sentir o cheiro e a textura de suas páginas me faz pensar no dia em que farei isso com meu próprio livro. E isso me motiva. Porém, é necessário ter cuidado. Alguns livros são bons. Prendem-no à história e o fazem ter um bom momento. Mas existem os livros excelentes. São aqueles que tragam o leitor. Funcionam mais ou menos como o diário de Tom Riddle. As páginas o engolem, e você se sente como se estivesse no local retratado pela história, acompanhando o protagonista. Quando finalmente para de ler, sente como se estivesse emergindo de um lago profundo. Um sentimento de estranheza se apossa de você, até que volte a se acostumar com sua própria realidade. Livros como esse são perigosos. Você começa a ler e, quando finalmente consegue parar, percebe que horas se passaram. E, em se tratando de um prazo tão apertado, aquelas 12h que você passou vivendo a vida do seu personagem favorito podem ser a diferença entre a vida e a morte. Claro que muitas vezes não é possível prever o quanto um livro será bom (eu mesma já tive muitas dessas boas surpresas), mas procure por aqueles livros que você acredita que serão apenas bons.

Programe-se: Pense em todos os compromissos que terá em novembro e faça uma previsão de quanto tempo terá para escrever em cada dia. Procure deixar para dezembro aqueles que podem ficar para depois, e se achar necessário, desmarque compromissos com amigos. Ademais, prepare-se para imprevistos. Nos dias que sentir que será capaz de ultrapassar sua meta, faça isso. Pode ser que no dia seguinte aconteça uma fatalidade que o deixará sem tempo algum para escrever. Eu por exemplo deixarei quieto, por enquanto, o planejamento de A Irmandade do Caos (o que pode ser uma boa coisa) e já deixarei preparadas todas as postagens de novembro do blog, de maneira que postar por aqui não me tome mais tempo do que seria conveniente.

Esteja preparado para desgraças: Além de compromissos inadiáveis, uma série de desgraças pode acontecer em nossas vidas. Se você escreve no Google Docs, por exemplo (o que é uma boa ideia, uma vez que ele salva seu texto automaticamente e você terá a possibilidade de acessá-lo de qualquer dispositivo, esteja onde estiver), é possível que sua internet falhe. Assim, é interessante ter uma cópia off-line, para que você possa lembrar onde parou e dar continuidade nesses dias de falta de internet. Se você trabalha off-line, adquira o costume de salvar seu livro em um pen drive ou na nuvem, mesmo que seu computador seja confiável. Eu, por exemplo, salvo meu livro em um pen drive e no Google Drive e envio uma cópia para mim mesma em meu e-mail. Também tenho Dropbox, mas não atualizo com muita frequência.

Para tirar outras dúvidas, confira o FAQ do NaNoWriMo. Se quiser participar, basta cadastrar-se no site e criar seu romance em “my nanowrimo > dashboard > create your novel”.

Minha participação

Já há algum tempo que ouvi falar do NaNoWriMo, mas decidi não participar antes por diversos motivos, especialmente por pensar que novembro fosse um mês péssimo para isso. Como é o último mês do semestre, eu tenho de lidar com as provas finais, afora outros compromissos que os professores inventarem (e alguns acreditam que os estudantes vivem exclusivamente para cursar suas disciplinas). Desse modo, novembro era um péssimo mês para mim.

Porém, neste ano, mudei de ideia, e decidi participar pela primeira vez.

Depois de, no primeiro semestre desse ano, escrever As Joias do Caos (um livro de 400 mil palavras) em 5 meses, decidi que era viável participar do NaNoWriMo. Minha intenção, no começo, era fazer isso em 2015, na edição de julho, depois que terminasse de escrever A Irmandade do Caos. Porém, o planejamento deste tomou mais tempo do que eu esperava, e devido às greves da universidade, as provas finais ficaram para dezembro, tirando aquela correria de novembro e tornando o desafio viável para mim.

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Mas será um desafio diferente daquele do primeiro semestre. As Joias do Caos é na realidade a quinta versão de um livro que estava escrevendo há muito tempo, assim, já tinha tudo praticamente pronto: os cenários, os personagens, o rumo da história. Bastava praticamente reescrever capítulos prontos, detalhando o que precisava ser detalhado, cortando o que precisava ser cortado; poucas coisas foram escritas do zero.

Este desafio requer a escrita de um novo projeto, com personagens novos e com os quais não estou acostumada a escrever; apenas o cenário já foi definido (o mesmo planeta que retrato em O Segredo de Todos os Mundos, mas em um país diferente). Como o cenário é o mesmo, também já tenho o sistema de magia praticamente pronto.

Porém, estou confiante. Ter um desafio diferente do anterior será interessante e, como já mencionado, posteriormente farei uma revisão e mudarei o que for necessário para tornar o livro melhor.

Metas

50 mil palavras em 30 dias dá uma média de 1667 palavras por dia (um pouco acima de minha média de 1500 palavras, mas viável). Como em alguns dias já cheguei a conseguir mais de 3000 palavras, terei uma meta de 2000 por dia, de modo a conseguir concluí-lo alguns dias antes do prazo final ou ainda para o caso de esse projeto dar mostras de ultrapassar as 50 mil palavras.

Por enquanto, o projeto tem 27 capítulos e, de acordo com minhas experiências com as Joias do Caos, costumo fazer uma média de 1900 palavras por capítulo, o que daria 51300 palavras. Porém, o planejamento não está definitivamente pronto, e sei que às vezes alguns de meus capítulos dão bem mais do que 1900 palavras.

Farei um acompanhamento semanal aqui no blog, na coluna Diário de Escrita, descrevendo meu progresso dia a dia, pois acredito que seja uma ideia interessante mostrar o passo a passo da realização desse projeto.

Ao final dele, farei um diário geral, revelando se consegui ou não alcançar as 50 mil palavras e concluir o livro, e contando também as principais dificuldades e o que aprendi com esse desafio. Amanhã falarei um pouco mais sobre o projeto escolhido.

E vocês? Participarão do NaNoWriMo este ano? Participaram anteriormente? Contem suas experiências!

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