11 de fevereiro de 2014

Opinião | Os Heróis do Olimpo

Esta não será uma resenha propriamente, mas minha opinião sobre essa série (uma das minhas favoritas). Irei compará-la com a anterior, Percy Jackson e os Olimpianos, ressaltando as inovações e os pontos positivos, além de falar um pouco sobre o que achei de cada um dos livros.

A série Os Heróis do Olimpo é sequência de Percy Jackson e os Olimpianos, começando poucos meses após o término da primeira série. Composta por 5 livros, dos quais 4 já foram lançados sendo que o quinto volume, Sangue do Olimpo, foi lançado em 2014, sua trama gira em torno da Profecia dos Sete, revelada ao final do livro O Último Olimpiano:

Sete meios-sangues responderão ao chamado.
Em tempestade ou fogo, o mundo terá acabado.
Um juramento a manter com um alento final,
E inimigos com armas às Portas da Morte afinal.

Na imagem, da esquerda para a direita, aparecem os personagens Octavian, Reyna, Leo, Piper, Jason, Percy, Annabeth, Hazel, Frank, Nico e Thalia. Créditos: Viria 13 no Deviantart.

A série Os Heróis do Olimpo:
  • O Herói Perdido;
  • O Filho de Netuno;
  • A Marca de Atena;
  • A Casa de Hades;
  • O Sangue do Olimpo.

O que melhorou da série anterior para essa foi a escrita. As cenas se desenvolvem mais lentamente, porém, são mais detalhadas, o que em minha opinião as torna mais interessantes, sem que elas se tornem monótonas. Acredito ser importante um detalhamento do ambiente e das emoções dos personagens em uma cena de ação: isso a torna menos artificial.

Quando as cenas não eram de ação, o autor mergulhou mais profundamente nos dilemas dos personagens, explorando-os melhor. Seus dilemas e segredos se tornaram mais interessantes e mais relevantes frente às decisões que tinham de tomar ou às situações por que passavam. Em A Casa de Hades, inclusive, vemos o ato de matar monstros sob uma perspectiva diferente. O livro também nos mostra que nem todos os titãs, gigantes e monstros são necessariamente maldosos.

Além disso, a série não tem apenas um protagonista, mas sete, e os capítulos se alternam sob seus pontos de vista, o que também foi uma evolução em relação à série anterior, narrada em primeira pessoa por Percy. Isso permite que se possa saber o que está acontecendo em vários lugares simultaneamente, como também conhecemos melhor cada um deles, e não somente Percy. Além disso, achei bastante interessante ver personagens conhecidos sob a ótica de outro, e não somente a imagem que ele fazia dele mesmo (como no caso do Percy).

Os personagens secundários não são muito explorados, contudo. Muitos de nossos personagens queridos da série anterior aparecem por pouco tempo, são apenas citados ou aparecem em sonhos, como por exemplo Thalia, Grover e Rachel. O único que aparece um pouco mais é Nico em A Casa de Hades, mas como ele não é um dos Sete da Profecia, não fez muita coisa.

A trama é semelhante à da série anterior, com semideuses lutando para salvar o mundo de um ser maligno e quase indestrutível, assombrados por profecias. Porém, diferentemente da série anterior, os livros não seguem o padrão conhecido, com Percy destruindo uma escola e sendo expulso, chegando ao acampamento e recebendo uma missão que frustraria mais uma etapa dos planos de Cronos. A série Heróis do Olimpo é mais contínua, com o próximo livro começando pouco tempo depois da parte em que o anterior terminou.

E a mitologia, é claro, foi bastante explorada. Nesta nova série, conhecemos um lado mais obscuro da mitologia, com seres perigosos e primordiais, alguns até mesmo mais velhos que Gaia e Tártaro. Isso foi bastante interessante, particularmente para mim, que conheço apenas o mais básico. Eu não imaginava que a mitologia fosse tão complexa.

O Herói Perdido


Sinopse: Novos e conhecidos personagens do Acampamento Meio-Sangue dividem espaço nesse primeiro volume da série Os heróis do Olimpo. Rick Riordan volta ao universo de Percy Jackson e os Olimpianos com ainda mais aventuras, humor e mistério. Depois de salvar o Olimpo do maligno titã Cronos, Percy Jackson e seus amigos trabalharam duro para reconstruir seu mais querido refúgio, o Acampamento Meio-Sangue. É lá que a próxima geração de semideuses terá de se preparar para enfrentar uma nova e aterrorizante profecia. Os campistas seguirão firmes na inevitável jornada, mas, para sobreviver, precisarão contar com a ajuda de alguns heróis, digamos, um pouco mais experientes — semideuses dos quais todos já ouvimos falar... e muito.

O primeiro livro da série foi o mais fraco (o que não quer dizer que foi ruim). Somos apresentados aos três primeiros semideuses da Profecia dos Sete, que são também personagens inéditos: Jason, Leo e Piper. Embora Piper tenha seus segredos e tudo o que sabemos sobre Jason é seu nome, uma vez que ele teve sua memória roubada, eles não são tão cativantes quanto os personagens da série anterior.

Este livro é o que menos possui ação, mas isto é compensado com mistério: de onde veio Jason? Quem está planejando destruir o mundo desta vez?

O Filho de Netuno


Sinopse: A vida de Percy Jackson é assim mesmo: uma grande bagunça de deuses e monstros que, na maioria das vezes, acaba em problemas. Filho de Poseidon, o deus do mar, um belo dia ele acorda de um longo sono e não sabe muito mais do que o seu próprio nome. Mesmo quando a loba Lupa lhe conta que ele é um semideus e o treina para lutar usando a caneta/espada que carrega no bolso, sua mente continua nebulosa. De alguma forma, Percy consegue chegar a um acampamento de semideuses, mas o lugar não o ajuda a recobrar qualquer lembrança. A única coisa que consegue recordar é outro nome: Annabeth. Com seus novos amigos, Hazel e Frank, Percy descobre que o deus da morte, Tânatos, está aprisionado e que Gaia pretende reunir um exército de gigantes para dominar o mundo e reescrever as regras da vida e da morte. Juntos, os três embarcam em uma missão aparentemente impossível rumo ao Alasca, uma terra além do controle dos deuses, para cumprir seus papéis na misteriosa Profecia dos Sete. Se falharem, as consequências, é claro, serão desastrosas.

— Pronto! — Marte acabou de escrever e jogou o pergaminho para Octavian. — Uma profecia. Você pode incluí-la em seus livros, escrevê-la no chão, tanto faz.
Octavian leu:
— Aqui diz: “Sigam até o Alasca. Encontrem Tânatos e o libertem. Voltem até o pôr do sol do dia vinte e quatro de junho ou morram.”
— Isso. — confirmou Marte. — Não está clara o suficiente?
— Bem, meu senhor… Normalmente as profecias são pouco claras. Repletas de enigmas. Elas rimam e…
Marte tirou outra granada do cinto, como quem não quer nada.
— Sim?
— A profecia está clara! — anunciou Octavian. — Uma missão!
O Filho de Netuno, Página 128

O segundo volume é o melhor da saga até então. Temos o reaparecimento de Percy, que como Jason está sem memória. Conhecemos o Acampamento Júpiter, cujos semideuses são filhos da versão romana dos deuses. Percy conhece dois novos semideuses, Hazel e Frank, e será a ponte que unirá os dois acampamentos e os semideuses da profecia na luta contra Gaia, a deusa da terra.

A missão que os três enfrentam é bastante interessante: devem libertar Tanatos, o deus da morte, para que os monstros voltem a morrer e para que Gaia pare de trazer seus piores servos de volta do Mundo Inferior. Achei bastante interessante conhecer a existência das Portas da Morte e ver toda essa discussão sobre morte.

A Marca de Atena


Sinopse: Annabeth está apavorada. Justo quando ela está prestes a reencontrar Percy - após seis meses afastados por culpa de Hera -, o Acampamento Júpiter parece estar se preparando para o combate. A bordo do Argo II com os amigos Jason, Piper e Leo, ela não pode culpar os semideuses romanos por pensarem que o navio é uma arma de guerra grega: afinal, com um dragão de bronze fumegante como figura de proa, a fantástica criação de Leo não parece mesmo nada amigável. Annabeth só pode torcer para que os romanos vejam seu pretor Jason na embarcação e compreendam que os visitantes do Acampamento Meio-Sangue estão ali em missão de paz. Os problemas de Annabeth não param por aí - ela carrega no bolso um presente da mãe, que veio acompanhado de uma ordem intimidadora: Siga a Marca de Atena. Vingue-me. A guerreira já carrega nas costas o peso da profecia que mandará sete semideuses em busca das Portas da Morte. O que mais Atena poderia querer dela? O maior medo de Annabeth, no entanto, é que Percy tenha mudado. E se ele já estiver habituado demais aos costumes romanos? Será que ainda precisará dos velhos amigos? Como filha da deusa da guerra e da sabedoria, Annabeth sabe que nasceu para liderar; no entanto, também sabe que nunca mais vai querer viver sem o Cabeça de Alga.

Neste volume temos uma inovação: os semideuses saem dos EUA, sua missão agora é nas Terras Antigas, Itália e Grécia. Agora todos os semideuses da profecia estão reunidos para vencer o perigo de cruzar um oceano inteiro e chegar a Roma a tempo de cumprir mais uma etapa de sua missão para frustrar os planos de Gaia e impedir que ela desperte.

Annabeth se destaca neste livro, sendo que precisa, sozinha, buscar a Marca de Atena, o que poderá colocar fim às rivalidades entre os acampamentos Júpiter e Meio-Sangue.

— Essas letras são gregas — falou Leo, surpreso.
— Bem, muitos romanos falavam grego — argumentou Hazel.
— Acho que sim. — afirmou Leo. — Mas isto… sem querer ofender vocês do Acampamento Júpiter, isto é complicado demais para ser romano.
A Marca de Atena, página 367.

Achei muito interessante observar sua jornada e a maneira como ela tem de resolver os problemas e transpor os obstáculos sem contar com nenhum poder divino especial, apenas com raciocínio e inteligência.

O final deixou todos os fãs boquiabertos e ansiosíssimos para o lançamento do próximo volume. Mesmo as pessoas que sabiam o que iria acontecer — ou tinham uma ideia, como eu — puderam se impressionar com a maneira como tudo aconteceu.

A Casa de Hades


Sinopse: A tripulação do Argo II enfrenta dias difíceis. Inimigos espreitam no caminho para a Casa de Hades e o moral da equipe está baixo após a perda de dois integrantes importantes em Roma. Para chegar às Portas da Morte e tentar impedir o despertar de Gaia, nossos heróis Hazel, Jason, Piper, Frank e Leo vão precisar fazer alianças perigosas, encarar deuses instáveis e combater os asseclas enviados pela sanguinária Mãe Terra para detê-los. A situação é ainda pior para Percy e Annabeth. Após caírem no Tártaro, os dois passam fome, sede e sofre com diversos ferimentos enquanto são caçados por vários inimigos que derrotaram ao longo dos anos e que agora surgem das sombras em busca de vingança. A única esperança da dupla de voltar para o plano mortal reside em encontrar as Portas da Morte e fechá-las de uma vez por todas. No entanto, uma legião de monstros fiéis a Gaia defende as Portas, e nem Percy nem Annabeth estão em condições de enfrentá-la.

Esse foi um dos melhores. Neste volume o autor explora novos deuses e monstros, como também um lado mais obscuro das mitologias grega e romana, que eu desconhecia. No Tártaro, Percy e Annabeth deparam com entidades muito antigas, algumas delas até mesmo mais velhas que Gaia e Tártaro.

Fala sério, quem usa o último suspiro para amaldiçoar você com: Espero que tenha um tique nervoso!
A Casa de Hades, página 196.

No mundo mortal, Hazel deve aprender a controlar a Névoa, a fim de poder lidar com um obstáculo na Casa de Hades. Assim, descobrimos de onde vem a Névoa e de que maneira ela funciona, e que suas utilidades vão além de esconder o mundo mitológico dos mortais (podendo até mesmo ser utilizada contra entidades poderosas).

Já imaginava que Hazel teria mais destaque neste volume, uma vez que o título só poderia indicar que os filhos do Mundo Inferior teriam um grande papel. Porém, Frank e Leo são bem explorados, superando desafios e amadurecendo (a parte em que Leo vai parar em um certo lugar foi uma das minhas favoritas neste livro).

— E eu sempre posso incendiar o treinador Hedge — observou Leo com humor. — Então ele seria o fogo.
A ideia de um sátiro em chamas gritando “Morra, sua vaca!” enquanto atacava Gaia quase conseguiu fazer Piper rir… Quase.
A Casa de Hades, página 266.

Também temos o reaparecimento de personagens de outros livros, como Rachel e Grover, que são mencionados em um dos sonhos de Jason, e de Jápeto/Bob, um dos titãs que teve sua memória apagada no Rio Lete por Percy, em um dos contos do livro Os Arquivos do Semideus. Isso nos mostra, como já mencionado anteriormente, que não necessariamente todos os monstros, titãs ou gigantes têm de ser ruins, e vemos o ato de enfrentar monstros sob uma nova perspectiva.

O final foi bastante tranquilo em comparação com o de A Marca de Atena, mas ainda assim me deixou em expectativas para o quinto e último volume, O Sangue do Olimpo.

A voz dela vacilou na palavra amigo. Percy era muito mais que isso. Nem namorado era o suficiente para descrever a relação deles. Os dois tinham passado por muita coisa juntos. Àquela altura, Percy fazia parte dela, às vezes uma parte irritante, é claro, mas sem dúvida uma parte sem a qual não podia viver.
A Casa de Hades, página 249.

Avaliação geral:

★ ★ ★ ★ ★

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Post atualizado em 11/02/2017.


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2 comentários :

  1. Também gostei mais da descrição das cenas nessa série!
    Acho que o Rick evoluiu bastante!
    Marca de Atena é meu preferido... só pelo final! Rick ganhou vários pontos comigo ali! hahahaha
    Ganhará mais se resolver matar algum personagem importante, porque ainda acho que falta isso nos livros dele... são muitos perigos para todos principais saírem sempre bem na história! É extremamente irreal \o
    Beijinhos,
    http://www.interacaoliteraria.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Também senti falta de mortes de personagens importantes ou queridos. Não precisa ser nenhuma carnificina, mas pelo menos um ou outro, para mostrar que há algumas situações de que não dá para sair vivo.

      Beijos!

      Excluir

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